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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Carnaval de Quadrinhos das Quartas 14 - Mangás

Olá pessoal...

Nesta edição do carnaval de Quadrinhos das Qurtas o assunto abordado foi "Mangás". Decidi então escrever sobre Full Metal Alchemist, que é um mangá até bem interessante.


Fullmetal Alchemist é um mangá criado por Hiromu Arakawa que foi originalmente publicado pela Shonen Gangan, revista de mangás mensal japonesa. Além disso, Hagaren (como é chamado no Japão, assim como no Brasil é chamado apenas de Fullmetal) também foi transformado em um anime, um longa-metragem e vários jogos de videogame.

O mangá consiste, até agora, em 20 volumes e 80 capítulos, enquanto o anime consiste em 51 episódios e o filme Shambara wo Yuku Mono (Conqueror of Shambala). É uma série que se trata de uma temática muito sentimental e forte, mas também é misturada com muito humor e comédia. Em Fullmetal Alchemist a alquimia é uma ciência até mais avançada que grande parte da tecnologia. A série conta a jornada do jovem alquimista Edward Elric e de seu irmão mais novo, Alphonse Elric, em busca da lendária Pedra Filosofal. Mas o caminho que eles decidiram levar não é fácil e eles encontrarão uma série de obstáculos até seu objetivo final: recuperar o que lhes foi tirado.

A historia começa em uma cidade do interior, chamada Rizenpool, onde vivem dois irmãos, Edward Elric e Alphonse Elric. Quando pequenos, Edward e Alphonse perderam sua mãe, Trisha Elric. Desde então Edward pensa que a culpa da morte da mãe foi do pai deles, Hohenheim Elric que foi embora quando eles eram ainda pequenos. Então os dois irmãos tentam reviver a mãe, usando uma técnica proibida em que eles acharam em um dos livros que o pai dele havia deixado na casa. Os irmãos, então, quebram o maior tabu da Alquimia: a Transmutação Humana. Entretanto os irmãos conseguem apenas trazer o corpo da mãe, sem a alma, por terem praticado a transmutação humana, são levados até a Porta da Alquimia, onde o preço do corpo da mãe é cobrado, Edward perdeu sua perna esquerda, enquanto seu irmão Alphonse perdeu todo o seu corpo. Edward então sacrificou o seu braço direito em troca da alma do seu irmão, que ele selou em uma armadura. Essa é a lei máxima da Alquimia, a “Lei da Troca Equivalente”.

Edward usa Automails (próteses mecânicas) implantadas no lugar dos membros perdidos, então os irmãos Elric partem em busca da lendária Pedra Filosofal, a qual, reza a lenda, amplia os poderes de um alquimista e através dela, eles poderiam de alguma forma, recuperar seus corpos.Porém, eles não são os únicos intessados no artefato, os Homunculus (seres humanos artificiais), também estão atrás da pedra. Para facilitar a sua busca, Edward entra para o exército, tornando-se um Alquimista Federal e passa a ser conhecido pela alcunha de o Alquimista de Aço. Eles ainda cruzam o caminho de Scar, um sujeito de poderes misteriosos que busca se vingar de todos os Alquimistas Federais que encontra pela frente. Em sua jornada, os irmãos Elric descobrirão conspirações e ligações entre o exército e os homunculus.

Sobre o Mangá


Hiromu Arakawa criou o mangá, sendo lançado em Fevereiro de 2002. É a história original inventada por ela, sendo o anime uma adaptação da obra original.

Mostra a mesma história que o anime, com algumas diferenças, até chegar no ponto em que os irmãos Elric entram no 5º Laboratório. A partir daí a história dos dois muda drasticamente, com personagens diferentes, evolução diferente.

Lançado na Shonen Gangan, é diferente dos outros mangás por ser lançado mensalmente, sempre por volta do dia 10. Cada capítulo tem por volta de 45 páginas, diferente dos outros que tem por volta de 20. Cada volume tem por volta de quatro capítulos. Outra peculiaridade é a presença de omakes e gaiden (a tradução de "omake" é "bônus") que Hiromu lança. Em cada volume ela solta omakes, tirinhas pequenas cômicas com os personagens. De vez em quando ela lança os gaiden, que às vezes saem separadamente dos volumes, mostrando uma história (quase sempre cômica) fora da história principal, podendo ou não ter alguma influência na história. Outro fator importante do mangá é a presença do humor, algo característico da Hiromu. Ela consegue colocar no meio de uma conversa séria algo engraçado, quebrando o clima da leitura, descontraindo.

Eis algumas curiosodades sobre as diferenças entre o mangá e o Anime:

- No mangá, Greed é morto por King Bradley e depois é fervido pelo Pai dos Homunculus. No animê, Edward o mata;
- No mangá, Greed possui 60 anos, no animê, ele tem mais de 140;
- No mangá, é Roy quem mata Lust, não Wrath;
- No mangá, Envy não tem relação de parentesco com Hohenheim;
- No mangá, após a morte do Greed original, surge outro;
- No mangá, a morte de Gluttony é diferente;
- No mangá, o vilão principal é o Pai dos Homunculus. Enquanto no animê é Dante;
- O Wrath do mangá é o Pride do animê;
- Alguns personagens são exclusivos do animê (ex: Dante e Frank Archer), outros do mangá (ex: Pai dos Homunculus e os provenientes de Xing);
- No animê, o mundo de Amestris tem uma relação direta com a Terra, sendo um mundo paralelo. O poder da alquimia vem dos mortos da Terra. No mangá, a força da alquimia vem da crosta terrestre (Vide edição 17);
- A forma de criação dos homunculus é diferente no animê e no mangá. No animê, os homúnculos surgem de uma transmutação humana fracassada. No mangá, injeta-se Pedra Filosofal na corrente sanguínea de um ser humano, e este vira um homúnculo.
- O romance entre Edward e Winry é mais explicito no mangá que no anime.
- Xing e Xeres só aparecem no mangá.
- No mangá,Tucker é morto por Scar. No anime,Sloth o mata.
- No mangá é mostrado que Gluttony foi feito por seu pai na tentativa de criar um Portão da Verdade, enquanto que no anime ele foi criado apenas para ajudar Dante.

Os textos dos outros participantes desta edição do Carnaval de Quadrinhos das Quartas estão relacionados abaixo:

- The Centurions fala sobre Mangás de samurais
- Não diga nada participa com o Lobo Solitário
- Zine Acesso divaga sobre Dragon Ball
- Reviews de Histórias em Quadrinhos apresenta Video Girl Ai
- Blog do Hiroshi vai de Holy Avenger

Vale dar uma olhada também no Blog da Akemi, onde ela fala da banda japonesa Maximum The Hormone.


quarta-feira, 19 de março de 2008

Carnaval de Quadrinhos da Quartas 12 Edição - Red Sonja


Nesta edição trataremos de heroínas. Minha escolha foi por Sonja.

"Saiba também, ó Príncipe, que, naqueles mesmos dias em que Conan da Ciméria errou pelos reinos hiborianos, uma das poucas espadas dignas de cruzar com a dele era a de Sonja, a guerreira ruiva da majestosa Hirkânia."

Crônicas da Nemédia

Red Sonja é uma personagem criada por Roy Thomas inspirada em contos de Robert E. Howard. Originalmente, a personagem apareceu em "The Shadow of the Vulture" (A Sombra do Abutre), publicada na revista Oriental Stories, Janeiro de 1934, com o nome "Red Sonya of Rogatino". Era a história de uma russa de cabelos ruivos, que foi encontrada no meio de uma luta durante um cerco a Suleyman, Viena, em 1529 (mais armada do que sua versão dos quadrinhos).


Essa história de Howard foi adaptada no Brasil com o título homônimo em Heróis da TV 36, que mostrava o primeiro encontro de Conan e Sonja. A verdade é que Sonya de Rogatino nada tinha a ver com a Era Hiboriana, foi uma feliz idéia de Roy Thomas a transportar e adaptar ao mundo de Conan. No entanto, as características básicas da guerreira de Rogatino foram mantidas, inclusive seu voto de só se entregar ao homem que a vencesse em um combate justo.

Sonja vivia na Era Hiboriana, em uma fazenda da nação conhecida com Hirkânia. Nascida em uma família bastante modesta, sua mãe era uma mulher de grande fibra e seu pai, um mercenário aposentado. Juntos com seu dois irmãos, eles compunham um lar feliz. Todos os dias, o pai de Sonja pacientemente ensinava aos filhos homens o manejo da espada, enquanto à menina só era permitido assistir às instruções. A bela ruiva, contudo, não aceitava aquilo e, quer por orgulho, quer por ciúme dos seus irmãos, todas as noites saía escondida para praticar o que lhe era proibido.


Até que, em um agradável dia de outono, uma tropa de mercenários surgiu das montanhas. Eram antigos companheiros de seu pai, convidando-o a unir-se a eles para a campanha de inverno, onde iriam agir no reino de Khitai. Recusando o convite, o velho foi morto pelos ex-companheiros. Em seguida os criminosos chacinaram sua mulher e filhos, e o líder deles violentou a linda Sonja. Ateando fogo à casa, os mercenários partiram e, por milagre, a jovem ruiva consegui escapar das chamas, enrolando seu corpo em um cobertor molhado. Deixando a casa, desesperada, ela tombou no chão quase desfalecida, quando a visão de uma deusa chamou-lhe a atenção.

Com uma voz que lembrava música e o ribombar de trovões, a divindade falou à jovem que poderia conceder-lhe força para vencer seu sofrimento e assumir a emocionante vida de guerreira. Para que isso acontecesse, Sonja teria que fazer um juramento de jamais permitir que homem algum tocasse seu corpo, a não ser aquele que a vencesse em um combate. Aceitando as condições propostas a ruiva foi tocada pela espada da deusa e, a partir de então tornou-se outra pessoa. Cheia de coragem empunhando uma lâmina como ninguém, ela saiu a vagar por todo o continente, oferecendo seu serviços de guerreira ao exército que melhor lhe pagasse. De todos que conheceu até hoje, o que mais a impressionou foi Conan, o bárbaro.

FILMOGRAFIA

Brigitte Nielsen interpretou a guerreira ruiva em 1985 no filme Red Sonja (erroneamente traduzido como Guerreiros de fogo), que também estrelou Arnold Schwarzenegger como o Príncipe Kalidor (um clone de Conan). O filme foi dirigido por Richard Fleischer e não foi bem recebido pela crítica e pelos fãs.

Trailer do Filme



A história do filme é ligeiramente diferente da dos quadrinhos, por exemplo, nas Hqs a família de Sonja é assassinada e ela é violentada por mercenários (antigos companheiros de seu pai). No filme a Rainha Khedren se apaixona por Sonja, mas ela não corresponde a este amor, assim, Khendra ordena a seus soldados que matem sua família e a violentem. Outra diferença é o Mestre oriental de Sonja, no filme ele a ensina a arte da espada mas nos quadrinhos ele nunca apareceu. Vale lembrar ainda que o personagem Príncipe Tarn (a criança do filme) estreou após o filme a série Sidekicks (no Brasil conhecida como O Pequeno Mestre).



CURIOSIDADES

A personagem Tyris Flare do jogo Golden Axe foi inspirada em Red Sonja.


Red Sonja Speed Painting Part One - Drawing The She Devil!



Red Sonja Speed Painting Part Two - Drawing The She Devil!



Red Sonja Speed Painting Part Three - The Final Showcase!



Os posts dos outros participantes.

Blog do Hiroshi - Canário Negro
Reviews de Histórias em Quadrinhos - Zatanna
Quadrideko - Poderosa
Buteko do Busilis - Jenny Sparks


sexta-feira, 7 de março de 2008

Carnaval de Quadrinhos as Quartas - Edição 11

Nesta edição falaremos de personagens coadjuvantes...

Minha escolha foi o Cavaleiro da Lua.

O Cavaleiro da Lua ou Moon Knight (em inglês), é um personagem ficicional das histórias em quadrinhos ou Banda desenhada do Universo Marvel, publicadas pela Marvel Comics.


Seu nome verdadeiro é Marc Spector, embora ele se disfarce de outras pessoas para melhor investigar os casos que lhe interessa.

Criado por Doug Moench e Don Perlin, ele surgiu primeiramente na revista Werewolf by Night #32 (Agosto de 1975). No Brasil, foi publicado primeiramente pela Rio Gráfica Editora no início dos anos 80 (revista Almanaque Premiére Marvel), com o nome de Lunar, o Cavaleiro de Prata. Ao passar para a Editora Abril, esta resolveu mudar o nome para Cavaleiro da Lua.

Biografia do Personagem

Nascido em Chicago, Illinois, Marc Spector é o filho de um rabino americano. Ao atingir a maturidade, Marc ganhou a vida como boxeador, fuzileiro naval e mercenário. Em uma de suas muitas missões, ele trabalhou em conjunto com o mercenário africano Raoul Bushman, a serviço do Dr. Peter Alraune.


Nesta missão, eles procuravam o antigo templo do deus egípcio Konshu (o deus da Lua). Quando finalmente encontram a caverna, Bushman se revela um traidor, assassinado o Dr. Alraune e deixando Spector às portas da morte. Encontrado por egípcios, ele é levado até o templo do próprio Konshu para ser tratado. Quando o coração de Spector pára, o deus egípcio aparece em uma visão e lhe oferece a chance de ser seu avatar na terra. Marc aceita e, decidido a se tornar um combatente do crime, ele derrota Baulman e, em seguida, volta para os E.U.A..

Em Nova York, Spector cria um uniforme dourado para si (em homenagem à Konshu) e se auto-denomina Cavaleiro da Lua, passando a atuar como vigilante da cidade. Para isso, ele assume outras 3 identidades: Steven Grant, milionário e filantropo (sua identidade "principal", usada para lher permitir acesso à alta sociedade);Jake Lockley, o taxista (identidade que ele usa para ter contato com o povo normal de Nova York);Cavaleiro da Lua, super-herói. Um dos muitos vigilantes noturnos de Nova York, o Cavaleiro da Lua já trabalhou ao lado dos Novos Vingadores, do Homem-Aranha, do Demolidor e do Justiceiro.


Poderes e Habilidades


No decorrer de toda sua vida, Marc Spector acabou por tornar-se um exímio combatente corpo-a-corpo. É um atleta de nível olímpico e excelente estrategista, além de exímio motorista e piloto de helicópeto. Seu estilo de luta é parecido com o do Justiceiro, apesar de Marc ter um lado mais "investigativo", devido às suas múltiplas identidades. Ele é especialista em armas e explosivos. Como era milionário (devido aos tempos bem-sucedidos de mercenário) Spector pôde manter um grande arsenal e criou armas próprias tais como: capa que o permite planar, shurikens-lunares e helicóptero adaptado, entre outras.

Além disso, o contato com os artefatos do culto egípcio ao deus Khonshu lhe deu acesso à várias armas "personalizadas", tais como bumerangues e "bolas de arremesso". Seu uniforme contém Adamantium em áreas estratégicas.

As habilidades do Cavaleiro da Lua variam de acordo com as fases da lua. Durante a lua cheia, por exemplo, ele têm suas habilidades incrívelmente ampliadas, podendo, por exemplo, suportar um peso de duas toneladas e se tornar quase invisível. Além disso, ele possui alta resistência à ataques psíquicos e, ocasionalmente, recebe visões proféticas.


O Personagem em Outras Mídias


Videogames

Em Marvel Ultimate Alliance, o Cavaleiro da Lua é jogável nas plataformas: PS3, Xbox 360 & Wii, sendo que seu ataque extremo é o Lunar Eclipse e suas roupas são Classic, Ultimate e Khonshu.

No jogo "Ultimate spider-man", durante uma corrida contra o Tocha Humana o Homem-aranha o provoca dizendo: "Moon Knight is faster than you!"(o cavaleiro da lua é mais rápido que voce!).

TV

Blade: The Series - Em um episódio da série Mark Spector e citado como sendo um especialista em lobisomens.

Outros Blogs Participantes

Quadrideko - Gavião Negro
Reviews de Histórias em Quadrinhos - Besouro Azul - Ted Kord
Zine Acesso - Rick Jones
Blog do Hiroshi - Os sobrinhos do Pato Donald
Não diga Nada - The Rook
Toca do Calango - Falcão


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Carnaval de Quadrinhos das Quartas 9 - Contadores de Histórias - Jim Starlin

Esta é a nona edição do Carnaval de Quadrinhos das Quartas. Nesta edição iremos falar de "Contadores de História". Minha escolha foi Jim Starlin, conhecido mais pelo pessoal antigo e dono de um humor bastante "ácido" ele definitivamente marcou história nas HQs. Aliás, marcou e continua marcando... Suas criações continuam por aí e seus trabalhos também.

JIM STARLIN


Seu nome virou praticamente um sinônimo de aventuras espaciais. Ele próprio admitiu que como desenhista não se sente muito entusiasmado desenhando cenários e personagens do nosso dia-a-dia, preferindo deixar a imaginação voar rumo as estrelas. Uma curiosidade interessante é que ele tem a palavra star no sobrenome.

James P. Starlin nasceu em 9 de outubro de 1949, em Detroit. Começou sua carreira profissional na Marvel, em 1972, sob a direção dos editores Roy Thomas e John Romita. Seu primeiro trabalho na editora foi como arte-finalista do título original do Homem-Aranha. Em seguida desenhou três edições de Homem-de-Ferro, onde já introduziu sua mais famosa criação, Thanos, sabidamente uma homenagem a Darkseid, criado por Jack Kirby na DC Comics.


Quando foi chamado para desenhar a edição número 25 do título do Capitão Marvel, que já estava para ser cancelado, Jim conseguiu mudar a idéia dos editores e na edição seguinte assumiu também os roteiros. Então ele deu início à elaboração da rica cosmologia da Marvel, ditando o modelo para todos os seus criadores.

Esta empreitada continuou com a revitalização de um personagem do segundo escalão da editora, criado por Stan Lee e Jack Kirby: Adam Warlock. Com estes dois personagens Starlin construiu praticamente toda sua carreira dentro do Universo Marvel, estabelecendo entre eles uma relação que foi mote para muitas aventuras em que o destino de toda criação esteve em jogo.

Depois de um tempo, a revista do Capitão Marvel estava novamente ameaçada de cancelamento. Foi então que Starlin decidiu encarar o problema de frente e criou a graphic novel A Morte do Capitão Marvel. Foi um dos primeiros casos de morte de um super-herói de quadrinhos. O roteiro desta revista foi uma homanagem a seu próprio pai, que assim como o personagem também morreu de câncer.

No final dos anos 80, Starlin assumiu os roteiros do título do Surfista Prateado, substituindo Steve Enlglehart. Em seguida, ele deu continuidade à saga de Thanos iniciando a primeira minissérie intergaláctica.

Em 1982, Starlin começou a publicação de sua série autoral, Dreadstar, pelo selo Epic da Marvel. A saga mostrava Vanth Dreadstar, único sobrevivente de toda a Via Láctea, que lutava contra a tirania do Lord Papal, líder da Instrumentalidade, uma espécie de organização religiosa que se opunha politicamente à Monarquia em todo o universo.

No Brasil, a saga foi publicada pela Editora Abril, nas seis edições da revista Epic Comics, que trazia os quadrinhos do selo da Marvel. Em seguida, a Editora Globo publicou as continuações, respectivamente, com duas graphic novels (Dreadstar e O Preço) e uma revista mensal de dez edições. Infelizmente, devido a problemas na negociação com a editora norte-americana, os leitores brasileiros ficaram sem ver o final desta excelente saga.


Em seguida, na linha de publicações autorais, veio Gilgamesh II. A história passada num futuro de alta tecnologia é uma releitura do mito babilônico. Ao lado de Dreadstar, é uma das obras que melhor reflete a imaginação de Starlin em criar uma nova cosmologia replete de conteúdo, com referências culturais e filosóficas bem elaboradas.

Como roteirista, Starlin tem alguns trabalhos diferentes da ficção científica. Ele é co-criador de de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu e desenhou as primeiras histórias do personagem. Ele também fez o roteiro de uma minissérie do Justiceiro desenhada por Bernie Wrightson.

Durante um tempo, foi roteirista do Batman, onde ficou mais conhecido por ter matado o segundo Robin, Jason Todd, na história Morte em Família. Mas Starlin também é responsável por uma das mais cultuadas minisséries do Homem-Morcego, O Messias. Esta história, também desenhada por Bernie Wrightson, foi a primeira a fazer referência à marca registrada da narrativa de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, o uso da televisão para narrar eventos da trama.

Em 1988, ao lado do desenhista em ascensão Mike Mignola, criou Odisséia Cósmica, uma das grandes sagas da DC estrelada pela Liga da Justiça e que girava em torno do conflito entre Apokolips e Nova Gênese. A série tem muitos pontos altos, que ficaram para a história da DC, como destruição de um planeta por descuido do Lanterna Verde John Stewart e Batman salvando o universo como o conhecemos com uma chamada feita de um orelhão!


Nos anos 90, Starlin publicou algumas minisséries para editoras como a Malibu e a Slave Labor Graphics. Além disso, ele de vez em quando retornava com algum projeto para os heróis cósmicos da Marvel que ajudou a desenvolver. Foi a assim com o título do novo Capitão Marvel, a revista mensal de Thanos e as minisséries Abismo Infinito e Universo Marvel – O Fim.

Infelizmente nenhuma delas esteve à altura dos trabalhos dos anos 80. Principalmente porque Starlin passou a deixar de desenhar cenários espaciais para que estes fossem feitos pela equipe de colorização por computador. Dessa forma os desenhos de Starlin perderam a maior parte de seu charme.

Seus trabalhos autorais mais recentes parecem ter agradado mais ao público e à crítica norte-americana. Em 2004, pela editora Devil´s Due e pela Dynamic Entertainment, ele publicou a graphic novel Cosmic Guard. Nela vemos a história de Ray Torres, um órfão de 12 anos que teve uma vida de cão e está pronto para se suicidar, saltando do alto do telhado do orfanato onde vive, quando é escolhido por um campeão de outro planeta para ajudá-lo a salvar sua população de uma raça invasora. "Ray se transforma, de um órfão indesejável de 12 anos, num herói universal de 16 anos. É uma revista adulta sobre um garoto”, disse Starlin.

Em janeiro de 2007, a Dynamic Entertainment anunciou a publicação de uma nova graphic novel escrita e desenhada por Jim Starlin chamada Kid Kosmos que é a continuação de Cosmic Guard.


Agora uma entrevista concedida por Starlin para o site UniversoHQ

Um sucesso escrito nas estrelas
A vastidão do Cosmos sempre fascinou o homem. Em todas as formas de arte, muitos já utilizaram o espaço como tema principal de suas obras. Nos quadrinhos, um artista que fez - e ainda faz - inúmeras incursões pelas estrelas é Jim Starlin.

Criador do saudoso Dreadstar (veja matéria especial sobre o personagem apóps a entrevista), Starlin tem um currículo invejável. Foi o primeiro artista a matar "de verdade" um super-herói, o Capitão Marvel (da Marvel; não confundir com o da DC Comics); era o roteirista da Morte de Jason Todd, o segundo Robin; criou o mega-vilão Thanos; e trabalhou com vários os super-heróis "de peso", como Super-Homem, Batman, Surfista Prateado, Hulk, Homem de Ferro, Aquaman e outros.


Recentemente, desenhou algumas edições do novo Capitão Marvel e está envolvido em uma série de projetos, como a republicação de toda a saga de Dreadstar em volumes encadernado, em preto e branco, pela Slave Labor Graphics. Aliás, para os fãs do Guerreiro das Estrelas, uma surpresa: Starlin disse que pretende retomá-lo e, provavelmente, o matará!

Portanto, prepare-se! Sua viagem intergaláctica está apenas começando!

Universo HQ: Qual é a sua formação acadêmica e artística?
Jim Starlin: Tenho pouquíssimo treinamento acadêmico. Eu costumava desenhar no meu quarto quando criança, olhando as revistas e tentando descobrir como desenhá-las.

UHQ: Qual sua idade e quando começou a trabalhar com quadrinhos? O que o levou a querer trabalhar nessa área?
Starlin: Estou com 51 anos, e trabalho profissionalmente com quadrinhos desde 1972. Sempre amei quadrinhos, e quis escrevê-los e desenhá-los desde os oito anos.


UHQ: Muitos dizem que Jack Kirby foi uma grande influência em seu trabalho. Isso é verdade? Quais artistas marcaram seu estilo? Quais foram seus ídolos?
Starlin: Kirby era o meu Deus, seguido de perto por Steve Ditko, em segundo lugar. Outras influências que tive quando pequeno foram Gil Kane, Carmine Infantino e Joe Kubert.

UHQ: Quais as diferenças entre se trabalhar na Marvel e na DC? Você prefere trabalhar com os personagens de qual das duas editoras?
Jim Starlin: Na maioria das vezes, as diferenças são bem pequenas. Tudo depende de quem está no comando em determinado momento; e com qual editor se está trabalhando. Quando trabalhei com Kevin Dooley, em Hardcore Station (nota do UHQ: uma minissérie em seis partes, da Liga da Justiça, para a DC Comics), foi um verdadeiro pesadelo. Mas eu também atuei lá com Archie Goodwin, em outro projeto, e foi maravilhoso. Agora, estou trabalhando com Tom Brevoort, na Marvel, e está sendo ótimo. Ele é muito profissional e amigável. Com outros editores da Marvel, eu não tive tanta sorte.
Eu tenho um grande carinho pelo Super-Homem e Batman, porque eu cresci com eles, mas, atualmente, estou trabalhando com os meus personagens favoritos na Marvel. Tudo muda, dependendo de quem está no comando em cada companhia. No momento, eu gosto do pessoal que está na Marvel, e por isso estou com eles. Isso pode mudar no próximo ano. Quem sabe?

UHQ: Pouca gente lembra que você desenhou as primeiras histórias do Mestre do Kung Fu, um personagem que marcou muitos leitores. Qual a sua relação com o personagem? Foi um momento importante para sua carreira?
Starlin: Trabalhar com Steve Englehart foi divertido, e eu adorava o programa de TV do Kung Fu (nota do UHQ: uma série, dos anos 70, onde o personagem principal era interpretado por David Carradine). Nós queríamos fazer uma adaptação do programa, mas a Time Warner era dona dele. O ruim sobre esse projeto foi ter Fu Manchu incorporado à mistura.
Nunca havia lido nada dele e não tinha idéia de quão racistas os livros eram. Muitos dos meus amigos asiáticos me deram um "puxão de orelha" depois que foi lançado.


UHQ: Quais as diferenças entre trabalhar na Marvel na fase em que você desenhava Adam Warlock e Vingadores (Saga de Thanos) e, posteriormente, quando fez as mini-séries Desafio Infinito e Thanos: Em Busca do Poder?
Starlin: Quanto mais tempo eu trabalho na Marvel, mais devagar eles ficam para aprovar projetos. Quando eu fiz Warlock, falei com Roy Thomas durante a tarde e, à noite, já estava desenhando a primeira página. Agora, tive que esperar três meses para concordarem em fazer Infinity Abyss.

UHQ: Você usou a Graphic Novel "A Morte do Capitão Marvel" como uma forma de colocar para fora sentimentos referentes à morte do seu pai, vítima de um câncer. Como foi executar essa obra? Qual foi a reação dos fãs em relação a essa história? Afinal, você matou um herói muito querido!
Starlin: Foi uma forma barata de terapia. Adorei fazer o projeto, e muitos fãs também gostaram. Recebi algumas ameaças de morte, mas nada demais. Recebi mais aborrecimentos de diversos dos meus companheiros de profissão, que estavam irritados porque eu consegui o primeiro negócio com royalties nos Estados Unidos.


UHQ: É verdade que, na época, você fez a Graphic Novel, para que a Marvel, em troca, publicasse Dreadstar, pela Epic (nota do UHQ: um selo da Marvel para matérias especiais/adultos, com alguns títulos cujos direitos eram dos autores)?
Starlin: Sim. Eu e Shooter fizemos um acordo sobre começar uma linha que tivesse histórias com personagens que pertencessem aos autores, mas só se eu fizesse esse projeto antes.

UHQ: O que está achando da nova revista mensal do Capitão Marvel, escrita pelo Peter David? Como é sua relação com ele, uma vez que David também já trabalho com o Dreadstar? Você ainda acompanha os personagens que lhe trouxeram fama, como Vingadores, Adam Warlock e outros?
Starlin: É boa. Nos últimos tempos, desenhei três edições do novo Capitão Marvel para o Peter David (números 11, 17 e 18). Sobre os outros personagens, em breve, usarei vários, como Thanos, Capitão Marvel, Serpente da Lua, Gamora, Dr. Estranho, Homem-Aranha e Pip, em Infinity Abyss, uma mini-série, em seis edições, que vou escrever e desenhar para a editora.

UHQ: Como surgiu Metamorphosys Odyssey, na Epic Comics, na qual você deu inicio a história que culminou no surgimento do título "Dreadstar"? Você tinha isso em mente desde o início?
Starlin: Não! Originalmente, a idéia era fazer uma história com um final parecido com um conto de fadas. Mas eu comecei a gostar de Dreadstar, à medida que a história se desenvolvia. Além disso, a Marvel, repentinamente, percebeu as vantagens de lançar personagens que pertencessem aos seus criadores. Foi assim que a linha Epic começou.

UHQ: Conte um pouco sobre o trabalho na mini-série O Messias, de Batman. Afinal, esse foi um dos primeiros trabalhos de destaque do personagem depois de Cavaleiro das Trevas, e as comparações foram inevitáveis! Como você lidou com isso?
Starlin: Na verdade, não me lembro de qualquer comparação entre as duas histórias. Eu tentei afastar o meu Batman da versão do Miller, porque era o melhor a fazer naquele momento Se tivesse que comparar com qualquer trabalho do Miller, seria com Ronin, pois ambas as histórias têm longos períodos situados dentro dos esgotos.

UHQ: Como foi a repercussão da Morte de Robin (nota do UHQ: Starlin era o roteirista da história)? É verdade que os leitores americanos detestavam Jason Todd? Como foi a história da votação do público, para decidir se ele devia ou não morrer?
Starlin: Sim, todos detestavam Jason Todd. Eu queria matar o Robin, logo que comecei a escrever Batman. A idéia de pegar uma criança para lutar contra o crime é ridícula! Então, Denny O'Neil veio com a idéia da votação por telefone. Ele ganhou o crédito da idéia de matar o Robin desde o começo.
Então, a revista foi lançada, e os executivos da Time Warner perceberam que eles tinham todas aquelas lancheiras e pastas com o Robin estampado nelas e, de repente, a culpa da morte do Robin passou a ser minha! Em menos de três meses, eu já estava fora da DC.

UHQ: Por que Dreadstar saiu do selo Epic? Depois de passar pela First, o que causou o seu cancelamento? No Brasil até hoje, existe uma legião de fãs, auto-intitulada "órfãos de Dreadstar", que desconhece o final da saga do personagem!
Starlin: Estou empenhado em publicar toda a série de Dreadstar pela Slave Labor Graphics. A Epic foi uma linha da Marvel que publicava personagens que pertenciam aos autores. Quando a Marvel e eu tivemos uma briga sobre o dinheiro que me deviam, levei o material para a First e, posteriormente, para a Malibu.

UHQ: Você foi um pioneiro em termos de direitos autorais na indústria americana dos Comics, com Dreadstar. Porém, não produziu mais obras com o personagem e, na sua volta, após vários anos, permitiu que o roteiro e desenho fossem feitos por outros artistas (nota do UHQ: Peter David assumiu os roteiros e os desenhos ficaram por conta de artistas como Luke MacDonnell e Angel Medina). Você perdeu o prazer de trabalhar com Dreadstar?
Starlin: Eu escrevi, desenhei e arte-finalizei o equivalente a aproximadamente 50 edições de Dreadstar. Precisei parar e, desde então, não encontrei a oportunidade ideal para voltar a fazer dinheiro com novas histórias do personagem. Afinal, isso aqui é um negócio!

UHQ: Como estão as vendas das republicações da saga de Dreadstar, pela Slave Labor Graphics (nota do UHQ: Starlin está relançando toda a série de histórias de Dreadstar, em edições encadernadas, em preto e branco)?
Starlin: Boas o suficiente para continuarem publicando. Haverá um intervalo de uns seis meses entre as publicações dos livros quatro e cinco, enquanto eu estiver trabalhando em Infinity Abyss.

UHQ: Existe um ditado que afirma que toda história boa tem começo, meio e fim. Você pretende encerrar em definitivo a saga de Dreadstar algum dia? Quais os planos futuros para o personagem?
Starlin: Algum dia, em algum lugar, eu retornarei ao Dreadstar e, provavelmente, vou matá-lo no fim da saga. Eu também tenho uma história que quero fazer com ele, chamada Class Warfare.

UHQ: Como surgiu a Bravura Comics (nota do UHQ: um selo da Malibu Comics), onde você publicou duas mini-séries Breed I e II? Qual foi sua participação nisso? Na sua opinião quais os motivos que levaram ao fim desse selo?
Starlin: Harris Miller, meu advogado e também da maioria do pessoal envolvido na linha Bravura, fechou um acordo sobre os direitos dos artistas com a Malibu Comics. Chaykin que sugeriu o seu nome. No fim, a linha morreu, porque os homens de negócios da Malibu não eram muito bons no seu trabalho, e a Marvel acabou por comprar a companhia.

UHQ: Você foi um dos primeiros argumentistas a matar, "de verdade", personagens de grande sucesso. Hoje em dia, a morte/ressurreição de personagens virou lugar comum, quase sempre na tentativa de se aumentar a vendagem de revistas. O que acha disso?
Starlin: Prefiro não opinar.

UHQ: Na grande maioria de suas histórias temos a ação acontecendo no espaço sideral, em outros planetas ou outros universos. Existe algum motivo especial para essa fascinação pelo cosmos?
Starlin: Sim, eu odeio desenhar carros e pessoas com ternos. Além disso, você pode fazer histórias mais reais ou relevantes se as disfarçar com fantasias. Usando esse método, fiz contos sobre tudo, desde incesto até ridicularizar as grandes corporações; e não poderia ter feito isso se fosse no "mundo real".


UHQ: Você acompanha alguma série de quadrinhos atualmente? Quais são seus artistas prediletos da atualidade?
Starlin: Leio muito pouco. Qualquer coisa do Alan Moore e Frank Miller, e algumas poucas coisas da Marvel, que têm ligação com o que eu estou fazendo. Também gosto das histórias do Peter David.

UHQ: Você trabalhou com Super-Homem, Batman, Surfista Prateado, Hulk, Homem de Ferro, Aquaman e Capitão Marvel, entre outros personagens de sucesso! Existe algum super-herói com o qual você gostaria de ter trabalhado, mas não conseguiu?
Starlin: Millie the Model (nota do UHQ: uma personagem feminina, no melhor estilo Barbie, que foi publicada das décadas de 40 a 60, nos Estados Unidos). Não, na verdade, fiz pelo menos algum trabalho com todos os personagens que sempre quis trabalhar.

UHQ: Qual o seu personagem favorito?
Starlin: Thanos, porque eu o criei e, toda vez que vou para a Marvel, ele está num canto, sentado, esperando por mim para "brincarmos" juntos, não importa em qual título eu esteja trabalhando.

UHQ: Você trabalha com quadrinhos há mais de 30 anos. O que te atrai tanto nessa mídia? O que acha das dificuldades que os quadrinhos estão passando?
Starlin: As dificuldades passarão. Talvez agora, com o (George W.) Bush como presidente. Sempre que tivemos um presidente republicano e a economia em queda, a indústria de quadrinhos prosperou. É só olhar para trás, e ver quais foram os melhores anos: durante os governos de (Richard) Nixon, (Ronald) Reagan e (George) Bush. Nós temos um desempenho melhor quando os outros estão se "machucando".

UHQ: Você já mencionou a mini-série chamada Infinity Abyss, que propôs para a Marvel. Do que se trata a história? Como andam as negociações?
Starlin: O projeto já foi autorizado, e é sobre a realidade caindo em um abismo. Mais detalhes no futuro.

UHQ: Depois de muitos anos, a Marvel resolveu "ressuscitar" Rom, numa mini-série em 5 partes, com textos seus e desenhos de Chris Batista. Como foi trabalhar com esse personagem (nota do UHQ: um homem que, para salvar o seu planeta, abdica da sua humanidade, para ser transformado num robô espacial. O personagem fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80, inclusive no Brasil, pela RGE)? Você gostou de trabalhar com o personagem?
Starlin: Na verdade, não. Na década de setenta, eu o achava um personagem bem bobo. Apenas peguei o trabalho de escrever a série, pois assim poderia pagar algumas prestações do meu barco. Eu era estritamente mão-de-obra contratada naquele projeto. Não farei mais nada com Rom.

UHQ: Fale um pouco também sobre Wyrd: The Reluctant Warrior (Nota do UHQ: Mini-série em 6 edições, publicada pela Slave Labor), ainda desconhecido do público brasileiro.
Starlin: Wyrd é uma história humorística e política, sobre os ricos contra a magia e a homossexualidade não intencional. É um dos meus trabalhos favoritos; e é uma pena tão poucas pessoas terem lido. Está disponível em uma coleção da Slave Labor Graphics.

UHQ: Você poderia dar mais detalhes de suas outras atividades atuais, como, por exemplo, a produção de livros e softwares?
Starlin: Eu co-escrevo quatro romances com Daina Graziunas, minha ex-mulher (Among Madmen, Lady El, Thinning the Predators e Pawns, que foi serializada com a história de fundo baseada em Dreadstar). Eu sou um dos sócios de uma companhia de computadores chamada Electric Prism, que faz de tudo, desde design de websites até adaptar desenhos arquitetônicos para plantas de construção. Meu envolvimento atual com a empresa é mínimo.

UHQ: Você acredita no potencial dos quadrinhos pela Internet? Eles podem substituir o papel algum dia? O que achou das recentes notícias sobre a Stan Lee Media?
Starlin: a Stan Lee Media demitiu a maioria do seu pessoal há algumas semanas. Eu não acho que descobrirão tão cedo um substituto para o prazer de segurar uma revista nas mãos. Você já tentou ler quadrinhos pela Internet enquanto vai ao banheiro?

UHQ: Você poderia mandar uma mensagem aos seus fãs brasileiros?
Starlin: Continuem lendo e acreditando. A vida é muito curta para não se ter fantasias.

UHQ: Muito obrigado por sua atenção. O Universo HQ lhe deseja sucesso, sempre!
Starlin: Muito obrigado.


Matéria sobre Dreadstar publicada no Universo HQ.

Dreadstar e seus orfãos

Leitor de quadrinhos sofre. Se for brasileiro, então, sofre em dobro! Temos que ler histórias adulteradas, muitas vezes com uma tradução confusa, descobrir que páginas foram cortadas por motivo de espaço, e também nos deparar com o mais assustador de todos os problemas: o desaparecimento de uma revista das bancas, deixando centenas, milhares de fãs sem a conclusão da história, a ver navios. E foi exatamente desse mal que sucumbiu o ótimo personagem Dreadstar, de Jim Starlin.

O cancelamento da revista, quando de sua última publicação, pela Editora Globo, aconteceu devido às dificuldades de negociação com a detentora dos direitos sobre o personagem, a First Comics. "A Globo não teve meios para obter o material. Não existiam as facilidades da internet naquele tempo, e os contratos eram feitos por outro setor da empresa, chamado de Globo Press, que não conseguiu acertar a publicação da seqüência do titulo, após a saída do mesmo do selo Epic, da Marvel, passando para a First. Os editores não participavam desses contatos", lamenta Leandro Luigi Del Manto, editor do título na época, hoje na Pandora Books. Ele também informou que a tiragem ficava aproximadamente entre 25.000 e 30.000 exemplares por edição, um número considerado apenas razoável, mas que seria ótimo para qualquer publicação de quadrinhos nos dias de hoje.

A saga do personagem foi publicada no Brasil da seguinte maneira:


06 números da revista Epic Comics - Editora Abril
Graphic Novel Dreadstar - Editora Globo
Graphic Novel O Preço - Editora Globo
10 números da revista Dreadstar - Editora Globo

Curiosidade: Dreadstar é uma graphic novel pintada, ao melhor estilo do que Alex Ross faz hoje, só que 20 anos atrás!


A HISTÓRIA


Tudo começou milhares de anos atrás, na Via Láctea. Havia duas raças extremamente poderosas e distintas, os Zygoteanos, guerreiros e mercenários, determinados a conquistar todos os planetas existentes, e os Orsirosianos, imortais que cultivavam a magia e a ciência.

Após séculos de luta, a derrota do Orsirosianos era eminente. Eles tomam, então, uma decisão radical. Antes destruir a galáxia, que se submeter aos mandos dos Zygoteanos.

Para isso, bolam um plano, sob o comando de Lorde Aknaton. Invocam a "trombeta do infinito". Para aciona-la, quatro seres são convocados, entre eles Vanth Dreadstar, que havia encontrado uma espada, deixada muito tempo atrás no planeta Vega, por Aknaton. O plano funciona, a trombeta é acionada, e toda Via Láctea é destruída.

Vanth e Aknaton sobrevivem, e vagam milhões de anos dentro de uma esfera mística. Quando despertam, no planeta Caldor, Vanth mata Aknaton, por não aceitar a destruição que este causou.

Em Caldor, Vanth conhece um pacifico povo felino, e encontra o amor nos braços de Delilah. Porém, a paz é quebrada com a chegada de Syzygy Darklock, um ex-bispo da instrumentalidade, que teve uma visão, e veio à procura de Vanth para tornar-se seu amigo e mentor.

Na galáxia empírica, onde Vanth se encontra, uma guerra sem fim ocorre entre as forças da instrumentalidade, sob julgo do Lorde Papal, e da Monarquia. Esta última ataca Caldor, provocando a morte de Dalilah. Como conseqüência, Vanth entra na guerra, disposto a acabar com os responsáveis pela mesma.

OS PERSONAGENS


Vanth Dreadstar - Um dos poucos sobreviventes da explosão que devastou a Via Láctea, Vanth procurava paz. Porém, foi pego em meio à guerra entre a Monarquia e a Instrumentalidade, e acabou por ter sua companheira assassinada. A partir daquele momento, tornou-se inimigo ferrenho de ambos, e decidiu acabar com a guerra entre as potências. Sua fonte de poder é uma espada, forjada através de magia e possuidora de vida própria.

Syzygy Darklock - Ele era bispo supremo da instrumentalidade. Teve seu irmão assassinado por forças místicas, e ao empreender uma jornada em busca de vingança, adquiriu poderes além do imaginado, e descobriu seu destino, como peão no jogo cósmico em busca da paz. Acabou por tornar-se uma espécie de mentor de Dreadstar.

Lorde Papal - Um mestiço, fruto da união entre duas raças diferentes, sofreu diversos preconceitos e humilhações quando criança. Foi encontrado por um membro da instrumentalidade, que percebeu seu poder latente e o iniciou nos segredos da magia. A partir daí, Papal teve uma carreira fulminante na instrumentalidade, sempre em busca de poder.

Oedi - A raça de Oedi foi o resultado de uma experiência fracassada da instrumentalidade, cruzamento entre gatos e humanos na busca de um guerreiro perfeito. Porém, o resultado não foi o esperado, obtendo-se somente dóceis camponeses. Ao ter toda sua raça exterminada pela Monarquia, Oedi aliou-se a Dreadstar e Syzygy na busca por vingança.

Willow - Na infância, sofreu abusos por parte do pai. Ao cruzar com Dreadstar e seu grupo, resolveu segui-los. Ao ser descoberta na nave dos rebeldes, inadvertidamente atacou Dreadstar com uma rajada psíquica. Acabou por juntar-se ao grupo, e foi treinada por Syzygy. Porém, para poder utilizar seus poderes, acabou por perder a visão.

Skeevo - Um mercenário, cujo principal objetivo é o dinheiro, ninguém sabe exatamente porque está junto com o grupo. Não tem maiores poderes, a não ser sua esperteza, agilidade e seu senso de humor.

O QUE VOCÊ NÃO VIU...


Se você odeia Spoilers, e ainda tem a esperança de ter em mãos o restante da saga algum dia, não leia as próximas linhas. Vamos contar parte do que aconteceu na seqüência do último número publicado pela Editora Globo!

Depois da fuga, graças a ajuda de Oedi (disfarçado no lugar de Mezlo), o grupo acaba por descobrir quem era o traidor da equipe: ninguém menos que Syzygy Darklock!

Porém, o próprio Syzygy desconhecia o fato de ser um traidor. Quando foi capturado pela instrumentalidade (Epic Marvel #5), sem saber, teve implantado em seu ouvido biônico um transmissor, que emitia sinais através das dimensões, os quais podiam ser captados somente pela Igreja. Eles não tinham como detectar esses sinais.

Na seqüência, o grupo ataca com todas suas forças a sede da instrumentalidade, Altarix, contando com a ajuda da frota restante da monarquia, e tendo como aliada ultravioleta. Conseguem passar pelas defesas do planeta, bem como derrotar os aliados de Papal (menos Massa e Monalo, que não estavam presentes, devido a uma armadilha armada por Oedi). O Lorde Papal escapa no último minuto, em uma nave espacial.

De posse do planeta, o grupo toma duas medidas: transmite a fita que mostra o Lorde Papal aniquilando centenas de pessoas para todo o universo, o que incita revoltas populares, e convocam os doze deuses da instrumentalidade com o "cristal dos deuses", ameaçando-os para que não voltasse a interferir nos assuntos daquela dimensão. Enquanto isso, Willow derrota Monalo, e Oedi destrói o "Massa".

Por fim, a batalha final. Dreadstar, Syzygy e Ultravioleta encontram o Lorde Papal. A batalha acontece, e somente Dreadstar permanece em pé. Quando estava para derrotar o Papal, este comete suicídio, em uma explosão mística, com a intenção de também matar Vanth. Porém, este sobrevive, e fica em coma por um longo período de tempo.

Ao despertar, descobre que muita coisa mudou. Oedi e Skeevo são burocratas do novo regime. Darklock está perto da morte e o resto do grupo faz parte de uma força especial, que caça criminosos de guerra. Vanth junta-se ao grupo, e uma nova fase tem início.

A última vez que Dreadstar saiu nos EUA foi numa mini-série em seis edições, pela Malibu Comics, através do selo Bravura, com desenhos de Ernie Colón e roteiro de Peter David. Nela, ficamos conhecendo a filha de Dreadstar, que cresceu sem conhecer o pai, sob a tutela de ninguém menos que o Lorde Papal! No final, temos a volta de Vanth, que todos acreditavam morto, e fica a deixa para uma nova continuação.

O autor, Jim Starlin, afirmou em entrevista exclusiva que talvez termine a saga um dia, matando nosso herói. Quem acompanha a trajetória do artista, sabe que ele é bem capaz disso...

Para ler os textos dos outros blogs participantes desta edição é só clicar nos links abaixo.

O Busilis - Stan Lee
Quadrideko - Frank Miller
Toca do Calango - Warren Ellis
Não Diga Nada - Howard Chaykin
Zine Acesso - Neil Gaiman
Blog do Hiroshi - Alan Moore
Reviews de Histórias em Quadrinhos - Bill Willingham


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

MIRZA - A MULHER VAMPIRO

MIRZA - A MULHER VAMPIRO, de Eugênio Colonnese (1967)


Mirza, a Mulher Vampiro é um personagem brasileiro de histórias em quadrinho criada por Eugênio Colonnese em 1967. Suas histórias pertencem ao gênero terror, que fazia bastante sucesso durante a década de 60 no Brasil.

A principal marca das histórias da vampira Mirza é sua sensualidade, muito ousada em comparação com os padrões de sua época, provavelmente isso era herança dos fumetti italianos (terra natal do autor). Nos anos 60 a linha divisória entre quadrinhos adultos e infantis era muito mais tênue, e não existiam projetos como o selo Vertigo ou Marvel Max. (Nos EUA as hiatórias em quadrinhos ainda estavam presas ao rígido Comics Code Authority).

Eugênio Colonnese é realmente muito conceituado no pequeno nicho de fãs da HQ nacional. O motivo principal é que quando nem sequer se imaginava lançar-se algo por aqui, este verdadeiro mestre já havia colaborado com diversas editoras estrangeiras, adquirindo uma experiência que o colocaria numa posição de destaque entre os desenhistas radicados no Brasil. Nascido na Itália, mudou-se para a Argentina logo na infância e lá publicou seus primeiros trabalhos, no final da década de 40. A extrema qualidade do seu traço não passou despercebida, e em pouco tempo ele estaria em Londres produzindo gibis de temática militar para a aclamada Fleetway Publications. Em 1957, ainda morando no exterior, travou seu contato inicial com o mercado brasileiro ao adaptar para os quadrinhos, sob encomenda da Ebal, o texto "Navio Negreiro", obra-prima do poeta Castro Alves. Sete anos depois, ele passaria a viver no nosso país, onde reside até hoje, e a nos brindar com uma infinidade de ilustrações magníficas.

Assim que pisou em solo brasileiro, Colonnese se aventurou por diversos gêneros da nona arte. Além das supracitadas adaptações de obras literárias, fez também gibis românticos endereçados ao público feminino, criou super-heróis nos moldes norte-americanos e lançou outras histórias de guerra similares às que havia publicado na Inglaterra. Contudo, foi no terror que ele concebeu sua mais célebre criatura: Mirza, A Mulher Vampiro. Esta bela e fascinante personagem estreou em 1967 numa revista que levava seu nome, e de lá para cá foi reeditada inúmeras vezes, sempre conquistando novos admiradores.

Surgida um ano antes da mundialmente famosa Vampirella (seria possível seu criador, Forrest J. Ackerman ter sido "influenciado" por Colonnese e Mirza além da famosa Barbarella?), Mirza não era uma vampira tradicional. Tal qual as beldades hematófagas de Jess Franco, ela não tinha pudor algum em tomar banho de sol e desfilar de biquini por cenários paradisíacos mundo afora. Não se tratava de uma vilã na acepção da palavra, embora fosse abordada desta forma nas primeiras histórias, onde sacrificava inocentes visando apenas satisfazer seu apetite por sangue humano. De maneira gradual, a personagem deixaria de ser um poço de maldade para se transformar numa quase justiceira. Convém destacar o "quase", utilizado na frase anterior: ao contrário do que se pode imaginar, Mirza passava longe de ser uma super-heroína, não apenas por fugir daquilo que se convencionou como sendo politicamente correto, mas também por não ter a mínima pretensão de salvar o planeta. Seu cotidiano pode ser resumido da seguinte forma: aproveitar a vida. Ex-condessa milionária, ela dirigia carrões, praticava esportes radicais, frequentava lugares badalados, convivia com pessoas do meio artístico, era arroz-de-festa nos eventos da alta sociedade e viajava por muitos pontos turísticos do globo: Istambul, Londres, Paris, Cataratas do Niágara e é claro Ipanema, por exemplo. Na maioria das vezes, estas localidades maravilhosas ocultavam pessoas não tão louváveis: tarados, maridos infiéis, esposas interesseiras, psicopatas, contrabandistas, policiais corruptos e governantes negligentes acabavam - por mera obra do destino - cruzando o caminho da vampirona e, ao término da trama, tinham seu líquido vital sugado pela mesma (por este motivo acredito que Mirza deveria ser reeditada hoje. Faria muito sucesso). De modo geral, eram seres repugnantes que recebiam o merecido. Nos bons e maus momentos, estava sempre acompanhada por Brooks, seu mordomo e melhor amigo: senhor de muita cultura, possuía uma aparência das mais grotescas e costumava "fisgar" vítimas para a patroa, por quem nutria um sentimento ambíguo - tão paternal quanto apaixonado.

Independente de qualquer coisa, basta uma breve examinada nas páginas de Mirza para compreender que aquilo só poderia ser obra de um grande quadrinista. Autor de sequências impactantes, Colonnese é dono de um estilo sóbrio, elegante e mais pessoal do que supomos; estilo este que consiste em linhas espessas, contornos bem definidos, figuras humanas de feições sempre marcantes e um enorme realismo - já é famosa a obsessão do desenhista com detalhes históricos, geográficos, arquitetônicos e anatômicos, os quais pesquisa à exaustão. Para poder traduzir em imagens o contraditório universo da HQ - que unia morte, ciências ocultas, vampirismo, trevas e violência com o sexo banal, festividades, diversões passageiras e um certo grau de ingenuidade - o artista faz uso de um curioso e inteligente contraponto: enquanto nos trechos leves e tranquilos seu desenho beira a pop art, nas cenas tensas exagera nas sombras e na atmosfera gótica. O resultado é incomparável.

Apesar de Colonnese ter criado a vampira e concebido toda a sua identidade visual, seria injusto não mencionar os vários roteiristas que passaram pela série e contribuíram para que ela atingisse o status cult do qual goza atualmente. O primeiro deles foi Luis Meri, que escreveu praticamente todas as histórias da fase inicial da personagem e forneceu as diretrizes para seus sucessores. Escritor competente, Meri abordava temas que se ainda hoje causam algum desconforto, com certeza provocavam um choque ainda maior em 1967/1968. Em "Orgia das Aves", por exemplo, Mirza é convidada para uma festa de gala na qual os figurões da high society não fazem a menor questão de conter seus impulsos mais primitivos; ao consumo generalizado de entorpecentes se segue uma grande suruba, que por sua vez é sucedida por um jogo depravado: todos se embrenham num bosque, onde as mulheres vestem máscaras de animais e são "caçadas" pelos homens, sedentos por exercerem seu poder de dominação sexual. Depois de Meri, vieram Basilio de Almeida, Osvaldo Talo, Sidemar de Castro, Álvaro de Moya, Watson Portela e Franco de Rosa, sendo que o próprio Colonnese já chegou a desenvolver alguns roteiros.

Infelizmente Mirza permanece desconhecida entre o grande público, mas pode muito bem ser considerada uma das mais bem-sucedidas personagens dos quadrinhos nacionais, já que é frequentemente reeditada e que seu autor continua na ativa até hoje, ilustrando livros didáticos, lecionando desenho em escolas de arte e, claro, produzindo HQs.


A ORIGEM DE MIRZA


Mirela Zamanova é a sétima filha de um nobre polonês cuja linhagem foi amaldiçoada. Durante um incidente no qual quase foi estuprada pelo namorado da irmã, a maldição de sua família a transformou em uma vampira. Após a transformação adotou o nome de Mirza e passou a errar pelas grandes metrópoles do mundo, onde constantemente esbarrava com outros seres sobrenaturais, tanto hostis quanto amigáveis. Quando lhe convém se passa por modelo profissional e é sempre auxiliada por seu criado corcunda Brooks.


Abaixo uma reportagem/entrevista da revista Wizmania número 51 da editora Panini com Eugenio Colonnese e uma aventura de Mirza especialmente desenhada por ele para a mesma edição, para comemorar os 40 anos da criação de Mirza.

Clique na imagem para fazer o download da reportagem/entrevista.


Clique na imagem para fazer o download da história em homenagem aos 40 anos da criação da personagem.

Este post faz parte do Carnaval de Quadrinhos das Quartas.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Conan O Bárbaro

Vamos a quinta edição do Carnaval de Quadrinhos das Quartas. Nesta edição o assunto escolhido foi Hqs e cinema.

Decidi então falar de um dos filmes que mais gosto, Conan o Bárbaro.

Apesar de ser tecnicamente uma adaptação ruim, o filme é ótimo. Seja pela trilha sonora belíssima, pelas imagens (retiradas diretamente do imaginário “popular”) baseadas nas obras de Frank Frazetta e nas revistas do gigante de bronze, publicadas pela Marvel Comics.

O filme começou a ser filmado em maio de 1981, na Espanha. Dois armazéns e um hangar em Madri, foram transformados em estúdio para as cenas internas. Em Talamanca, um convento abandonado foi adaptado para as cenas de taverna, e nas montanhas de Sergovia, a vila de Conan foi construída para ser invadida e a seguir incendiada. Cerca de seis mil pessoas, entre atores e pessoal técnico, foram empregadas na produção de Conan, que lançou o então desconhecido ator austríaco Arnold Schwarzenegger ao estrelato.

Conan foi um divisor de águas em termos de cinema de fantasia. Antes dele os filmes de fantasia eram “inverídicos”. Quer dizer, as armas, lugares e armaduras por exemplo, não eram “reais” ou de “uso prático”. Grandes exemplos disso são duas construções do filme. A primeira é a Roda da Dor, onde o cimério ainda criança é preso para trabalhar como escravo, até que é vendido a um Vanir dono de gladiadores. A segunda é o templo de Thulsa Doom, com sua grande escadaria.


SINOPSE

Há muitos anos atrás Thulsa Domm (James Earl Jones), um demoníaco feiticeiro, comanda um ataque a uma aldeia da Ciméria por motivos até hoje não revelados que poderia ser simplesmente pelo prazer de matar ou para descobrir o segredo do aço. Conan (Arnold Schwarzenegger), um cimério, vê seus pais serem mortos na sua frente e seu povo ser massacrado, sendo que ele, ainda criança, é levado para um campo de escravos. Os anos passam e ele desenvolve uma enorme força física, o que faz Conan se tornar gladiador. Ele ainda se mantém determinado a vingar a morte dos pais e quando é libertado tenta alcançar seu objetivo. Conan descobre que Thulsa Doom lidera o misterioso culto da serpente e, tentando se aproximar do feiticeiro, faz amizade com dois ladrões, Valéria (Sandahl Bergman) e Subotai (Gerry Lopez). Ao trio é prometida uma vultosa recompensa pelo rei Osric (Max von Sydow), que quer que o trio de guerreiros resgate sua filha, que se tornou uma seguidora de Thulsa Doom.




INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Título no Brasil: Conan, o Bárbaro
Título Original: Conan the Barbarian
País de Origem: EUA
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento: 1982
Estúdio/Distrib.: Fox Filmes
Direção: John Milius

ELENCO

Arnold Schwarzenegger .... Conan
James Earl Jones .... Thulsa Doom
Max von Sydow .... Rei Osric
Sandahl Bergman .... Valéria
Ben Davidson .... Rexor
Gerry Lopez .... Subotai
Mako .... Feiticeiro
Valérie Quennessen .... Princesa
William Smith .... Pai de Conan
Luis Barboo .... Red Hair
Franco Columbu .... Pictish Scout
Akio Mitamura .... General mongol
Nadiuska .... Mãe de Conan
Jorge Saenz .... Conan - jovem



CURIOSIDADES

Os atores Arnold Schwarzenegger e Sandahl Bergman tiveram que realizar todas as suas cenas em Conan, o Bárbaro, já que os produtores não conseguiram encontrar dublês de corpo para ambos.

Apesar de Conan e Valéria serem vistos juntos durante grande parte de Conan, o Bárbaro, ele apenas fala a ela 5 palavras em todo o filme, sendo que isto ocorre logo nos 30 primeiros segundos em que se encontram pela primeira vez.

O sangue usado no filme é na verdade um concentrado no qual era misturado água e vodca antes de ser usado.

O visual de Thulsa Doom e seus guerreiros foi inspirado nos guerreiros presentes em Alexandre Nevsky (1938).

A empresa Mattel era a responsável por produzir brinquedos em torno de Conan, mas após assistir ao filme seus executivos acharam melhor não associar a empresa a um filme com tanta violência e apelo sexual. Deste modo, a Mattel resolveu criar um personagem próprio baseado em Conan, He-Man, criando também uma série de desenhos animados baseado no personagem.

Existem também outras duas versões do filme, com algumas cenas editadas, que possuem 115 e 123 minutos.

Na escolha do personagem Arnold em reunião com Dino de Laurentis (o produtor do filme) disse: Porque um homenzinho como vc tem uma mesa tão grande? Dino de Laurentis depois desta teve que ser convencido a aceitar Arnold no papel Conan.

Agora coloco alguns presentes para os fãs do cimério.

TRILHA SONORA DO FILME CONAN O BÁRBARO



QUADRINIZAÇÃO DO FILME CONAN O BÁRBARO


FONTES

Wikipedia BR
Acervo pessoal


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

GENOSHA - A ILHA MUTANTE

Fui convidado a participar do projeto Carnaval de Quadrinhos as Quartas-Feiras pelo Quadrideko.

A idéia deste projeto é muito boa, pois acaba criando algum material de pesquisa em português, coisa cada vez mais difícil. Além é claro, de divertir e fazer relembrar velhas histórias, aventuras e acontecimentos. Esta edição traz textos sobre locais dos quadrinhos. O local que escolhi foi Genosha, conhecida como a Ilha Mutante. Bem, espero que gostem do texto.

GENOSHA

Genosha é uma nação obviamente fictícia, presente nas histórias em quadrinhos do Universo Marvel, publicadas pela Marvel Comics. Ela foi criada por Chris Claremont, aparecendo pela primeira vez em Uncanny X-Men #235 (outubro de 1988). Na minha opinião, o mais importante de seu aparecimento foi justamente sua alegoria inicial, que serviu como uma alusão à escravidão e, posteriormente, ao regime de apartheid da África do Sul. Claro, tudo isso aconteceu antes de se tornar um refúgio mundial para mutantes e, posteriormente a área de um dos maiores desastres do Universo Marvel. Sua capital era a cidade de Hammer Bay.


Mapa da Africa mostrando a localização de Genosha.


Escravidão Mutante

A ilha, situada na costa leste da África, mais precisamente a sudeste de Madagaskar, apresentava um alto padrão de vida, uma excelente economia e liberdade se comparado às perseguições políticas e raciais características de países vizinhos. No entanto, a prosperidade de Genosha era baseada na escravidão de sua população mutante. Mutantes em Genosha eram propriedade do estado e crianças que fossem identificadas com o gene mutante eram submetidas a um processo desenvolvido por David Moreau, mais conhecido como genengenheiro. Esse processo era conhecido como a Genengenharia. Ao passarem por este processo, os jovens mutantes eram transformados em Mutóides (mutantes desprovidos de livre arbítrio).

Mas isso não é o mais aterrorizante, a Genengenharia era também capaz de modificar habilidades mutantes a fim de preencher lacunas de trabalho específicas. Por exemplo, se o estado estava com uma super população de curandeiros, bastava transformar alguns mutantes com poder de cura em mutantes capazes de alterar campos de pressão atmosférica, em jardineiros ou até mesmo mutantes capazes de trabalhar em sidelurgia, fazendo ligações de metais como se fossem de carne e músculos. Atualmente se sabe que não foi o Dr. David Moreau que desenvolveu o processo de criação de Mutóides, tendo apenas sido orientado pelo Homem-Doce (um mutante saído diretamente da Saga Era de Apocalipse).

A cidadania em Genosha era permanente e o governo não reconhecia qualquer emigração. Cidadãos que tentassem deixar o país eram localizados e trazidos de volta à ilha por uma força policial especial conhecida como Magistrados, e problemas com mutantes eram combatidos por um grupo especial conhecido como a Gangue da Pressão.

Genosha aparece pela primeira vez no Universo Marvel quando Jennifer Ransome, namorada do filho do Dr. Moreau foge do país e se refugia na Austrália. Os Magistrados são enviados em seu encalço (pois Jennifer Ransome é uma mutante), e quando de sua captura, também capturam Madelyne Pryor, na época uma X-man. Dando sequência a história Wolverine e Vampira partem atrás das duas para resgatá-las mas são capturados e salvos pelos outros membros da equipe. Durante o resgate, Tempestade e Lupina são feitas prisioneiras, sendo libertas durante a Saga Programa de Extermínio, quando os X-Men derrubam o governo de Genosha supostamente matam Cameron Hodge, antigo aliado do X-Factor original e atual líder de um grupo extremista anti-mutantes.

Guerra Civil

Após a derrubada dos magistrados pelos X-Men, um novo regime genoshano que prometia melhor tratamento aos mutantes foi posto em prática. Seguiu-se então um período de perseguição geral e um grande número de ataques por super-humanos, incluindo os Acólitos de Magneto, que não desejavam perdoar o governo anterior por seus crimes contra mutantes.

Esta é a bandeira de Genosha durante o governo de Magneto, e é baseada na bandeira mostrada em X-Men #113.


Mais tarde, após forte pressao de Magneto, As Nações Unidas cederam Genosha ao poderoso mutante. Ele e seus Acólitos conseguiram estabelecer um período de paz e estabilidade apenas depois de encerrada uma guerra civil entre ele e o restante da população humana liderada pelos Magistrados. Magneto derrotou-os e restaurou a paz na ilha, tornando-a um refúgio para mutantes do mundo todo.

Devastação

Na saga E de Extinção Genosha foi dizimida por um sentinela gigante, do tamanho de um arranha-céu, controlado por Cassandra Nova, a irmã de Xavier. 16 milhões de mutantes foram mortos. Após o massacre, alguns sobreviventes tentaram reerguer a nação. São eles: Magneto, Xavier, Callisto, Sholla e Karima Shapandar, uma Sentinela Ômega (humana com partes cibernéticas). Porém, após o Dia M, praticamente não restou nenhum mutante na ilha, que é habitada apenas por amargurados e perdidos ex-mutantes.

A ilha que já foi um estado opressor de mutantes, um refúgio para mutantes de todo o mundo e um grande campo de extermínio (na batalha com Cassandra Nova). Vamos ver o que os escritores nos reservam sobre seu futuro.

Dados Técnicos

Nome Oficial: Genosha
Localização: Ilha localizada ao leste da Africa (mais precisamente ao sudeste de Madagascar)
População:
(antes do ataque do Super Sentinela) 16,521,063 (após o ataque) aproximadamente 763
Capital: Hammer Bay
Outras Cidades Citadas: Carrion Cove
Primeira aparição ou Menção: Uncanny X-Men #235
Lista de Aparições e Menções;
Uncanny X-Men #235
Uncanny X-Men #236
Uncanny X-Men #237
Uncanny X-Men #238
Uncanny X-Men #259
Uncanny X-Men #262
Uncanny X-Men #264
Uncanny X-Men #270
New Mutants Vol.1 #95
X-Factor #60
Uncanny X-Men #271
New Mutants Vol.1 #96
X-Factor #61
Uncanny X-Men #272
New Mutants Vol.1 #97
X-Factor #62
X-Man Annual 1 ('96)
X-Men: Magneto War #1
Magneto: Rex #1
Magneto: Rex #2
Magneto: Rex #3
Magneto: Rex #4
Magneto: Dark Seduction #1
Magneto: Dark Seduction #2
Magneto: Dark Seduction #3
Magneto: Dark Seduction #4
Uncanny X-Men #392
X-Men #112
Uncanny X-Men #393
X-Men #113
New X-Men #115
New X-Men #116
X-Treme X-Men #46
Excalibur Vol.2 #2
Excalibur Vol.2 #3
Excalibur Vol.2 #4

Curiosidades

O nome David Moreau e a questão de manipulação genética são homenagens ao livro A Ilha do Dr. Moreau, do escritor H. G. Wells.

Outra questão ainda sobre a manipulação genética controlada por um governo pode ser encontrada em uma obra como Admirável Mundo Novo.

Fontes

http://pt.wikipedia.orgl
Wikipédia.org
http://www.comicboards.com
E acervo pessoal


Carnaval de Quadrinhos das Quartas


O Carnaval de Quadrinhos das Quartas é é um projeto de postagem coletiva idealizada pelo Daniel Morine do Blog do Hiroshi. A idéia é a cada semana , propor aos blogs participantes que escrevam sobre um assunto relacionado com quadrinhos , dentro de um tema previamente escolhido. A edição número 1 foi sediada no Blog do Hiroshi e teve como tema um Top 10 sobre quadrinhos e teve a participação do Blog do Hiroshi , Rabisco , Reviews de histórias em quadrinhos , Quadrideko e Zine Acesso . A edição 2 foi sobre os grandes vilões dos quadrinhos, repetindo a participação dos blogs da edição anterior. A terceira edição teve como sede o Rabisco.org e tendo como tema as armas usadas no quadrinhos e teve o reforço de mais dois participantes, a Toca do Calango e o O busilis. Agora na edição número 4, o quartel-general do CQQ vai ser : "Em Algum Lugar dos Quadrinhos" , ou seja , os blogs participantes vão poder falar dos lugares existentes no quadrinhos, como por exemplo, Krypton, Thanagar, Zona Fantasma, Zona Negativa, Gothm City, OA , Atantis, etc.