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sábado, 5 de julho de 2008

Heroína Cristal, da Marvel, quase ganhou filme com Cher e Village People

A personagem Cristal, da Marvel, Dazzler no original em inglês, quase virou filme no início da década de 80 - estrelando Cher, Donna Summer e as bandas KISS e Village People! A revelação veio de Jim Shooter, editor-chefe da Marvel na época, em entrevista ao blog Comics Should Be Good.


Na verdade, como revela o blog, na seção "Lendas Urbanas dos Quadrinhos", Cristal deveria fazer sua estréia como uma animação antes de chegar às HQs. A personagem foi pensada inicialmente como parte de um contrato entre a Marvel e a gravadora Casablanca Records, poderosa na época. A proposta era criar um filme em que a heroína cantora interagisse com os principais artistas da gravadora.

"Os figurões da Marvel queriam uma prévia do roteiro feita no fim-de-semana. O pessoal da Casablanca queria usar os contratados deles, como Donna Summer, Cher, Rodney Dangerfield, Lenny e Squiggy, Robin Williams, Village People, Kiss e outros como vozes dos personagens. Disseram-me para 'contratar quem quisesse' para escrever o roteiro. Nosso agente de cinema/TV sugeriu Harlan Ellison. Impossível achar H.E. e convencê-lo a escrever um roteiro em quatro dias. Vi minhas opções e decidi que seria ou eu ou ninguém - seria o herói ou o bode expiatório. Fiz como mandado. Mandei o roteiro. O pessoal da Casablanca disse, nestas palavras, 'foda-se a animação, isso é um longa metragem'", conta Shooter na entrevista.

A atriz Bo Derek chegou a ser sondada para o papel principal. Mas o projeto, assim como o contrato da Marvel com a Casablanca, acabou indo por água abaixo. Cristal terminou fazendo suas primeiras aparições em séries como Uncanny X-Men e Amazing Spider-Man, antes de ganhar sua própria revista em 1981.

Detalhe: originalmente, a personagem seria negra. Pintariam o cabelão loiro de Derek como solução? Ninguém jamais saberá...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A Nova Era das HQs

Este texto é muito bom. Estava navegando quando o encontrei.

Crise InfinitaNos últimos anos, muito se leu e ouviu sobre o revival das editoras Marvel e DC às Eras de Ouro e de Prata dos quadrinhos, em histórias que mostravam a volta de personagens há décadas esquecidos ou aventuras cujos elementos cronológicos e conceituais remetiam àquelas épocas.

Seja pela necessidade de situar os quadrinhos e suas tendências em determinado intervalo de tempo e contextualizá-los em algum período histórico, ou apenas para apontar marcos a partir dos quais mudaram-se as formas de se contar histórias nos gibis, separar a arte seqüencial em eras é uma das máximas seguidas por qualquer fã de HQs.

Embora comumente não se discuta os títulos das eras de ouro, prata e bronze, bem como os eventos que marcaram suas transições, há controvérsias sobre o que veio depois, a ponto de ficar a dúvida: a época atual é chamada de ferro ou moderna?

Guerra Civil Nenhuma das duas opções é a correta. Do que poucos se deram conta é que os quadrinhos acabaram de dar adeus a essa fase e entraram em outra que promete não dar margem a questionamentos, pelo menos quanto ao nome: a Era Pós-Moderna.

É o que afirma o jornalista norte-americano Shawn O'Rourke, em artigo publicado recentemente na revista eletrônica PopMatters. Para ele, as minisséries Crise Infinita (DC) e Guerra Civil (Marvel), lançadas nos Estados Unidos entre os anos 2005 e 2007 - no Brasil, foram publicadas no ano passado, pela Panini Comics -, marcaram essa transição, cujos primeiros alertas já se pronunciavam há pelo menos duas décadas.

Para O'Rourke, o estopim foi exatamente o início do que ele agora aponta como a era anterior, referindo-se à publicação de Watchmen e O Caveleiro das Trevas, obras que mudaram o conceito dos quadrinhos de super-heróis ao mandar às favas o maniqueísmo tradicionalmente bem delineado nesse gênero de HQ e quebrando outros paradigmas a ele relacionados.

Watchmen Na época, as duas minisséries apresentaram idéias alheias ao que era publicado mensalmente nos títulos de linha das editoras de super-heróis, vivendo à parte da continuidade normal. Ou seja, apesar de ditarem "regras" que, atualmente, parecem já incorporadas, Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, lançados em 1985 e 1986, respectivamente, esperaram quase dez anos para ver seus efeitos - alguns deles identificados por muitos leitores como a transformação do herói Lanterna Verde Hal Jordan no vilão Parallax e a proliferação dos anti-heróis.

Essa é uma incoerência apontada por O'Rourke para o fato de essas duas publicações serem aceitas como marcos de uma era.

Por outro lado, de acordo com o articulista, Crise Infinita e Guerra Civil redefiniram instantaneamente e de forma mais drástica o universo dos super-heróis, descontinuando o que estava há muito tempo estabelecido e incorporando essas mudanças no curso de seus títulos de linha.

Batman - O Cavaleiro das Trevas "As duas companhias criaram histórias com ramificações espetaculares que influenciaram a maioria de suas revistas em quadrinhos de modo significante", escreveu O'Rourke.

O que as editoras Marvel e DC fizeram, entretanto, foi nada mais do que apagar aquilo que elas próprias ajudaram a construir durante décadas: ícones da moral cujos princípios estavam acima dos valores mesquinhos do ser humano comum e serviam de exemplos, muitas vezes, na formação de caráter dos leitores.

Pode parecer algo um tanto piegas e "fora de moda", mas funcionava. E é esse argumento que O'Rourke não explora em seu artigo, ao mesmo tempo em que indica que a nova ordem veio para ficar.

"A nova raça de heróis está sujeita às mesmas dúvidas, medos e ambigüidades moralistas que a pessoa comum é forçada a confrontar. Eles não são mais deuses que vivem entre nós; eles agora são bem mais reais", vaticinou o articulista.

Guerra Civil Mas o que se vê, atualmente, não é tão simples assim. Heróis tornam-se vilões (de fato ou dissimulados) ou absurdamente tão humanos que são exemplos de como é a realidade, e não de como ela deveria ser - a tal válvula de escape do mundo real. Resta saber se é isso mesmo que, a londo prazo, os leitores querem encontrar nessas histórias.

Um bom indicativo da decantada nova era também pode ser encontrado fora das duas editoras dos Estados Unidos. Nas aventuras de Spawn, criação de Todd McFarlane para a Image Comics, o personagem extrapolou seu próprio conceito de anti-herói.

A origem de Spawn carrega a história de um assassino a serviço da CIA. Em suas HQs, o contraponto de suas ações criminosas do passado e a condição de criatura do Inferno era a real busca por redenção. Nos dois últimos anos, entretanto, por meio de retcons (elementos retroativamente adicionados à continuidade), descobriu-se que Al Simmons - alter ego do personagem - espancava a ex-mulher, foi responsável pela morte do filho ainda na barriga da mãe e matou a sangue-frio uma pessoa na adolescência.

Superboy Primordial Assim, da mesma forma que personagens como o agora mau-caráter Homem de Ferro e o psicopata Superboy Primordial ganharam a antipatia de muitos leitores em Guerra Civil e Crise Infinita, o atormentado Spawn entrou nessa incômoda lista.

Há quem argumente que as transformações da sociedade são os principais motivos das mudanças de abordagem das histórias de super-heróis. Se assim for, o mundo anda realmente muito assustador.

Em toda essa discussão fica clara a imposição dos quadrinhos de super-heróis nos ditames de influências e marcos de eras. Entretanto, como sobriamente destaca o Dr. Peter Coogan em seu livro The Secret Origin of the Superhero: The Emergence of the Superhero Genre in America from Daniel Boone to Batman (A Origem Secreta do Super-herói: O Surgimento do Gênero Super-herói na América, de Daniel Boone a Batman), lançado em 2002 nos Estados Unidos, apenas a Era de Ouro pode ser aplicada aos quadrinhos em geral, pois todas as outras se referem exclusivamente às HQs de heróis fantasiados.

Então, nada mais justo que incluir os quadrinhos infantis na Era Pós-Moderna. E para buscar exemplos da humanização dos personagens e sua aproximação com o cotidiano dos leitores mirins, não é preciso ir muito longe.

Afinal, no Brasil, o primeiro sutiã e outros assuntos antes considerados tabus em gibis para crianças eram abordados com freqüência nos recém-cancelados gibis Menino Maluquinho e Julieta.

Magali Na Turma da Mônica, desde muito antes de qualquer suposta influência das infinitas crises e guerras civis dos super-heróis, são produzidas histórias sobre pais separados, conflitos de gerações e até mesmo escatologia moderada.

Como um sinal dos novos tempos, no ano passado os leitores dos personagens de Mauricio de Sousa foram surpreendidos e se divertiram com uma aventura em que Magali se dava conta de que o gato Mingau andava, segundo suas próprias palavras, "com o fiofó à mostra" - o animal ainda teimava em exibir essa particularidade anatômica, sem pudor, em destaque no quadro.

Ainda na década passada, na Saga do Tio Patinhas, o velho pato da Disney protagonizou um épico em que o drama familiar foi o pano de fundo e sentimentos humanos como remorso e egoísmo envolveram os personagens sem nenhum teor caricato.

Na premiada minissérie escrita e desenhada por Keno Don Rosa, Tio Patinhas vai à berlinda com os leitores na polêmica passagem em que, graças a sua ambição sem limites, é responsável pela destruição de uma aldeia na África, fato que, anos depois, é lembrado e desaprovado por sua irmã em um emocionante diálogo, na impressionante história Uma carta de casa.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As muitas armaduras do Homem de Ferro

Dizem que as roupas fazem o homem. Isso é particularmente verdadeiro no que diz respeito a um dos maiores heróis da Marvel, o Homem de Ferro. Sem armadura, Tony Stark é apenas um playboy milionário, mas quando a veste transforma-se em um dos mais poderosos super-heróis dos quadrinhos! Seria impossível detalhar todas as armaduras (e variações) que ele já usou, então faremos uma lista das armaduras “principais” (ou seja, as que Tony usou no seu “dia-a-dia” salvando o mundo) e deixaremos as especializadas (protótipos, espaciais, furtivas, árticas, caça-Hulk, etc.) e as de realidades alternativas (Ultimate, Heroes Reborn, etc.) para uma outra oportunidade:

Original
Primeira aparição: Tales of Suspense #39


Armadura original, primeira imagem por Jack Kirby

Criada durante seu período de cativeiro nas mãos do líder guerrilheiro vietnamita Wong Chu, esta é a primeira armadura que Tony Stark usou. Construída em parceria com o cientista chinês Yinsen, que sacrificou sua vida para salvar a do jovem Stark, e feita sob medida para manter o estilhaço de mina que se alojara em seu peito longe de seu coração, a primeira armadura do Homem de Ferro foi uma criação claramente improvisada. Como tal, sua capacidade de combate era muito limitada. Sua estrutura era à prova de balas e dava a seu utilizador a força de dez homens. Fora isso, seu armamento era limitado (uma serra aqui, um maçarico acolá) e dependia mais da habilidade de Stark (que tinha um pouco de MacGyver) em usar seus transistores miraculosos para improvisar maravilhas tecnológicas capazes de bater seus oponentes do que de sua própria capacidade de combate.

A evolução das armaduras até chegar à versão clássica

Ainda assim é uma armadura histórica e, apesar de ter sido utilizada originalmente em apenas uma aventura, é habitualmente relembrada em flashback e presença constante em todas as adaptações do herói para outras mídias (inclusive o filme). O visual original foi criado por Jack Kirby para a capa da primeira aparição do personagem. Don Heck, que desenhou a história em questão, afirmou isso categoricamente, embora admitisse ter criado o visual de Tony Stark e demais personagens da série.

Vingador dourado
Primeira aparição: Tales of Suspense #40


Vingador Dourado, por Patrick Zircher

De volta aos EUA, Stark cria uma nova versão de sua armadura original, feita de um material composto especial que é habitualmente flexível, mas capaz de enrijecer sob efeito dos campos magnéticos de sua armadura. Com isso, Stark podia guardá-la (fora a placa peitoral, que ele precisava usar o tempo todo) em uma maleta de mão convencional e vesti-la rapidamente em caso de emergência. Praticamente todas as suas armaduras subsequentes seriam construídas com um material similar. A aparência assustadora da armadura, porém, parece assustar ainda mais os civis do que os malfeitores. Stark então segue a sugestão de sua namorada da época, Marion (a primeira de muitas que apareceriam ao longo da série...), e pinta a armadura de dourado, adquirindo assim o cognome de Vingador Dourado, que mantém até hoje (exceto nas raras ocasiões em que utilizou uma armadura sem partes douradas). Embora mais avançada que a versão original, esta armadura ainda tinha várias limitações. Não era particularmente forte e o único armamento ofensivo fixo era o unifeixe no peito. Stark continuava improvisando suas armas em combate, geralmente utilizando imãs superpotentes (graças à capacidade de seus transistores...). Ao lutar contra o Hulk na primeira aventura dos Vingadores, sua arma secreta era... Uma marreta! A armadura ainda não podia voar, mas flutuava utilizando repulsão magnética e jatos de ar comprimido. Também neste modelo estrearam os patins que o heróis usou como “arma secreta” durante anos (regressão à infância?). Em suma, era mais versátil que o modelo original, mas ainda estava longe de ser a máquina maravilhosa que é hoje. Tal e qual a primeira versão, esta armadura foi criada por Jack Kirby, que desenhou sua primeira aparição.

Protoclássica
Primeira aparição: Tales of Suspense #48


Protoclássica, por Patrick Zircher

Após uma derrota humilhante nas mãos de Mr. Doll, supervilão que usava bonecos estilo vodu para atacar seus oponentes, Tony decidiu criar um modelo mais leve e avançado de armadura para não apanhar de outro “Seu Boneco” da vida. A armadura protoclássica foi o resultado. Já no tradicional visual vermelho e dourado que imortalizou o personagem, mas com algumas características diferenciadas tipo a placa peitoral, bem mais elaborada que a de modelos posteriores, e a máscara com “chifres”, que não duraria muito tempo. O traje mais leve podia voar melhor que seus desajeitados predecessores, fazendo com que o Homem de Ferro se tornasse um herói “voador” de uma vez por todas. Esta versão da armadura foi criada por Steve Ditko, com certeza para dar uma aparência mais moderna ao herói, que parecia um robô dos anos 30 em suas armaduras anteriores. Foi a ancestral direta da armadura clássica, que nada mais é que um refinamento do visual desta aqui, feito por Don Heck ao longo de sua fase como desenhista do herói.

Clássica
Primeira aparição (máscara com rebites): Tales of Suspense #54
Primeira aparição (máscara sem rebites): Tales of Suspense #66


Clássica com rebites


Clássica sem rebites (por Romita Jr. e Layton), baseada na capa da primeira aparição do herói

Embora não tenha sido apresentada como uma armadura separada e sim uma evolução do modelo anterior, esta é a vestimenta mais famosa do Homem de Ferro. Com uma aparência mais esguia que a protoclássica e sem os “chifres” na máscara, inicialmente substituídos por rebites (!) e um ano depois pela máscara lisa que nós conhecemos, esta armadura introduziu também o item mais famoso do arsenal do ferroso: Os raios repulsores! De início eram apenas ondas de repulsão magnética convencionais (daí o nome), mas com o tempo sua natureza foi mudando até chegar aos atuais feixes de partículas. A simplicidade do visual também é um ponto positivo. Armaduras posteriores pecavam pelo excesso de badulaques, mas esta era bastante lisa e aerodinâmica. A máscara também obteve nela seu visual definitivo, sem chifres, rebites e outras inutilidades. O visual era bem simples (duas fendas para os olhos, uma para a boca), mas dava ao herói uma aparência humanizada e permitia aos artistas mostrar suas emoções, através de sutis alterações na posição das fendas. Durante um tempo, a máscara também incorporou um nariz (!), mas ele foi rapidamente descartado. Felizmente! Um visual vencedor de Don Heck (baseado, é verdade, nos desenhos de Ditko) criado pouco mais de um ano após o surgimento do personagem e que durou mais de 20 anos! Sem dúvida mais que qualquer outra armadura do Homem de Ferro já durou ou provavelmente durará! Praticamente todas as armaduras posteriores foram influenciadas no todo ou em parte por esta, que ainda hoje é ocasionalmente reutilizada pelo herói quando modelos mais novos não estão disponíveis. Clássica em todos os sentidos da palavra!

Centurião prateado
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #200


Centurião prateado (por Bob Layton)

Tony Stark manteve sua armadura clássica durante muito tempo, modernizando-a regularmente para se manter à altura de seus oponentes. Ele teria continuado dessa maneira até hoje se o vilão Obadaiah Stane não tivesse interferido. Ao fazer Stark perder suas empresas e voltar à bebida, Stane indiretamente fez com que Jim Rhodes, braço direito e melhor amigo de Stark, se tornasse o novo Homem de Ferro, enquanto o original estava na sarjeta. Rhodes foi um bom Homem de Ferro, corajoso, heróico e à altura de todos os seus oponentes. Mas ele não era um gênio da engenharia como seu ex-patrão. Paulatinamente, a armadura foi ficando desatualizada, até o ponto em que ela não estava mais à altura das ameaças que surgiam, particularmente o próprio Stane que, a partir de anotações de Stark, criou a poderosa armadura do Monge de Ferro, muito superior à armadura clássica do herói. Mas nesse meio tempo Stark largou a bebida e criou a sua nova armadura prateada, uma das evoluções mais radicais que o herói sofreu até hoje. Contando com uma série de equipamentos novos, incluindo um campo disruptor capaz de interferir em sistemas eletrônicos como os de controle de mísseis, um unifeixe de formato triangular (diferente dos modelos arredondados que ele usara até então), um campo de força capaz de ficar ativo por seis segundos, raios de pulso que se tornavam mais potentes conforme a distância para o alvo aumentava (este peculiar desafio à Física era conseguido absorvendo-se a energia ambiente do meio pelo qual os pulsos se deslocavam) e um gerador holográfico capaz de produzir diversas imagens falsas do herói e, mais importante, torná-lo invisível a sensores e ao olho humano através de um “efeito camaleão” (que seria descartado mais tarde, quando Stark descobriu que ele afetava seu sistema nervoso, e reincorporado em armaduras posteriores após resolvido o problema). Com todos esses avanços, o Homem de Ferro surrou o Monge de Ferro e recuperou sua fortuna. Criada por Bob Layton, que não a apreciava pelo excesso de decorações, preferindo visuais mais simples e aerodinâmicos, esta armadura chamava atenção pelo esquema de cores vermelho e prata, diferente do habitual vermelho e dourado do herói. Radicalmente diferente do visual clássico, ela dividiu as opiniões de fãs e autores. Acabou durando poucos anos, sendo destruída durante a Guerra das Armaduras.

Neoclássica
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #231


Primeira aparição da Neoclássica, por Bob Layton

A armadura prateada bateu todos os inimigos do Homem de Ferro até o advento da Guerra das Armaduras, quando Tony Stark se viu frente a um poderoso inimigo denominado Poder de Fogo, uma criação de seu velho adversário nos negócios, Edwin Cord. Armado até os dentes com mísseis, canhões de partículas, lasers, granadas e até um míssil nuclear tático (!), Poder de Fogo destruiu completamente a armadura prateada, obrigando Stark a criar uma armadura ainda mais poderosa! O resultado é esta beleza aqui. Com um computador de tiro que permitia atirar e derrubar um grupo de mísseis em poucos segundos, um escudo de energia na mão esquerda capaz de proteger dos mais diversos ataques, um pulso eletromagnético capaz de desativar qualquer sistema eletrônico (inclusive a própria armadura) nas imediações, raios de pulso, repulsores, unifeixe (novamente redondo) e até jatos plantares avançados, a armadura era muito mais poderosa que suas antecessoras. Com ela, o herói derrotou facilmente Poder de Fogo, que destruíra sua armadura anterior. A versatilidade dessa armadura foi provada quando Stark foi baleado e aleijado pela patricinha maluca Kathy Dare (uma precursora de Paris Hilton...). Com poucas alterações, Tony conseguiu que a armadura o permitisse andar enquanto a vestia. Também era capaz de comandá-la por telepresença à distância, o que compensou suas limitações físicas na altura. Criada por Bob Layton, a armadura neoclássica é provavelmente a melhor que o artista, sem dúvida o mais identificado com o personagem até hoje, criou em sua carreira. Inspirada na armadura clássica mas com um visual mais moderno e dinâmico, ela é uma das mais bonitas da carreira do herói. Poderia ter tido a longevidade da versão clássica, mas os anos 90 chegaram e, com eles, uma sucessão de armaduras novas, progressivamente mais desinteressantes e feias. Para alívio do público brasileiro, a Editora Abril, que publicava a Marvel na época, pulou a maior parte dessas histórias, mostrando um certo bom gosto. Mesmo assim, eu as relacionarei a seguir.

Máquina de Combate
Primeira aparição (modelo Stark): Iron Man (primeira série) #281
Primeira aparição (modelo Rhodes): Iron Man (primeira série) #284


Primeira aparição da Máquina de Combate, por Kevin Hopgood


Máquina de Combate versão Rhodes, por Bob Layton

Com seus problemas físicos se agravando, Tony Stark é atacado por um grupo de ninjas tecnológicos (!) denominados “Mestres do Silêncio”. Protegidos contra os repulsores do Homem de Ferro, eles trucidam a armadura neoclássica, que estava sendo controlada à distância por Stark. O normalmente pacífico Tony Stark não faz por menos e constrói este monstrengo armado até os dentes, que usa com sucesso contra os vilões. O primeiro modelo era um arsenal ambulante. Embora não tivesse os raios repulsores e unifeixe padrões de todas as armaduras do Homem de Ferro, carregava mísseis, metralhadoras, canhões, lança-chamas, lâminas laser e uma infinidade de outras armas. Sem dúvida, a armadura mais bem armada até então! Apesar de sua vitória, os problemas de saúde de Stark se agravaram e ele foi dado como morto. Embora tivesse na verdade sido congelado criogenicamente e eventualmente revivido e curado, ele deixou para seu braço direito Jim Rhodes uma versão avançada da armadura (agora com o armamento “padrão” de repulsores e unifeixe adicionado) para que ele prosseguisse seu trabalho como Homem de Ferro. Após o retorno de Stark, Rhodes assumiria a identidade de Máquina de Combate e chegaria mesmo a ter uma série própria de curta duração nos anos 90. O personagem reassumiria essa identidade várias vezes no futuro, usando modelos de armadura mais avançados. Uma outra armadura Máquina de Combate foi usada por um vilão chamado Parnell Jacobs por uns tempos. Embora visualmente similar ao primeiro modelo, ela não era uma criação de Tony Stark. Criada pelo desenhista Kevin Hopgood no auge da inspiração, a armadura tem um visual inspirado e um esquema de cores magnífico (preto e prata), mas não parece muito uma armadura de Homem de Ferro. O excesso de armas não combina muito com o engenheiro playboy Tony Stark, mas caiu como uma luva para o piloto de combate Jim Rhodes, que assim pode assumir sua própria identidade heróica sem “roubar” o posto do seu ex-chefe. A encarnação vilanesca da armadura também foi uma idéia inspirada. Um dos raros casos em que a obsessão dos quadrinhos de super-heróis dos anos 90 por visuais mais sombrios e montes de armas gerou um bom resultado.

Unidade de Telepresença
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #290

Ainda não recuperado de seus graves problemas físicos, Tony Stark decide criar uma nova armadura que o permitisse enfrentar o mal mesmo nestas condições. A solução foi criar uma armadura totalmente controlada por telepresença. Sem a necessidade de carregar um piloto humano no interior, Stark pode usar todo o espaço interno para colocar armamento extra, dando ao modelo uma capacidade de combate similar à da Máquina de Combate sem a necessidade de todos os mesmos “penduricalhos”. Também criada por Kevin Hopgood, esta armadura marcou o retorno a um visual similar ao neoclássico após a radical mudança da armadura anterior. O visual, porém, tinha problemas. Não era tão esguio quanto o neoclássico e não tinha a imponência da Máquina de Combate. Para agravar, a ausência da fenda da “boca” (admitidamente desnecessária neste modelo...) tirou a capacidade da máscara refletir as emoções do herói, tornando a armadura completamente inexpressiva. Um passo em falso após a boa armadura anterior.

Modular
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #300


Armadura Modular, primeira aparição por Kevin Hopgood

O monstruoso vilão Ultimo destrói a armadura de telepresença. O resultado já é previsível, né? E tome mais uma armadura aperfeiçoada do Homem de Ferro, a terceira em apenas dois anos de publicação! Esta aqui, porém, apresenta um novo e interessante paradigma. Ela era modular, ou seja, fora o equipamento padrão (repulsores, unifeixe, etc.), a armadura podia incorporar módulos especializados com o equipamento necessário para cada tarefa. Precisa de mísseis? Usa um módulo especial. Campo de força? Outro módulo. E assim por diante. A idéia é muito boa. E a armadura surgiu em meados dos anos 90, quando a Marvel estava em um período de grande evidência mediática (ainda que inferior ao atual), o que fez com que ela aparecesse em videogames e na serie de animação do ferroso. Com tudo isso ela poderia ter se tornado uma armadura muito mais conhecida e popular do que é, então por que não se tornou? Resposta fácil: Porque é muito feia! O artista Kevin Hopgood estava ainda menos inspirado do que na armadura anterior e voltou com algumas das piores idéias (máscara sem boca, visual excessivamente pesado e pouco esguio), juntando ainda outros elementos de gosto duvidoso, como o visual “top com calça de lycra” dos elementos vermelhos da armadura, o unifeixe pentagonal e o que parecem ser joelheiras espalhadas pela armadura. Feia demais! Porém a Marvel logo preparou uma mudança radical para o herói em seu próximo “megacrossover-que-vai-mudar-tudo”...

Crossing
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #319


Tonynho em ação (não se vê toda a armadura, mas é melhor assim, acredite!)

The Crossing (felizmente inédito no Brasil) foi um dos piores crossovers da história da Marvel e, sem dúvida, a pior história em que o Homem de Ferro já se envolveu. Na história era revelado que Tony Stark tivera a mente dominada pelo vilão Kang anos atrás, e era um agente infiltrado por este nos Vingadores, programado para destruir o grupo por dentro! Para ajudá-lo neste objetivo, Stark criou esta armadura, poderosa e pesadamente armada com raios repulsores de alta potência (localizados sobre as mãos ao invés da localização habitual nas palmas). A armadura funcionou a contento, surrando os Vingadores que tentaram enfrentá-la. Mas, com a ajuda de uma versão adolescente de si próprio vinda do passado (não perguntem!), o herói foi capaz de quebrar o condicionamento de Kang e se sacrificou para salvar seus aliados. Criada por Tom Morgan, artista que foi um dos expoentes da péssima arte das revistas Marvel dos anos 90, ela detém a honra de ser uma das armaduras mais horrorosas que o herói já utilizou. O visual lembra o clássico, com unifeixe redondo e máscara com boca, porém inchado até a deformação, principalmente nos antebraços (armadura Popeye?), e com antiquados rebites por todos os lados! Perto dela, a armadura anterior era de um tremendo bom gosto... Tonynho
Primeira aparição: Iron Man (primeira série) #328 Ao final de The Crossing Tony Stark estava morto, enterrado e substituído por uma versão adolescente de uma realidade alternativa. Tony adolescente (ou “Tonynho”) fora ferido no coração ao lutar com sua versão mais velha e, para manter a tradição, era forçado a usar a placa peitoral de uma armadura do Homem de Ferro para continuar vivo. Ele tenta levar uma vida normal, mas, como era de se esperar, os acontecimentos o levam a construir uma nova armadura para lutar contra o mal e defender os inocentes. (E neste parágrafo eu cumpri toda a cota de chavões do Homem de Ferro do artigo...) De vida bastante curta, devido ao pouco sucesso dessa fase entre os leitores, a armadura nunca conseguiu mostrar suas capacidades. Parecia ser apenas uma modernização da clássica, tanto nas capacidades quanto no visual. Sendo que do ponto de vista visual, “modernização” NÃO quer dizer melhoria. Criada por Dave Hoover, a armadura era simplesmente uma versão inchada e malfeita da clássica. Seja por não ter os mesmos desenhistas por dois números seguidos ou pela própria irregularidade dos artistas da Marvel dos anos 90, o visual dela nunca foi muito consistente. Alguns a desenhavam com pernas normais e um torso agigantado, outras com proporções mais humanas e outros com a aparência inchada de um personagem de Rob Liefeld. Nenhum conseguiu fazê-la ficar bonita. Tanto ela quanto o próprio Tonynho foram rapidamente esquecidos após o crossover Massacre.

Inteligente
Primeira aparição: Iron Man (terceira série) #1


Primeira aparição da Armadura Inteligente, por Sean Chen

Após o evento "Heróis Renascem", em que os heróis Marvel reaparecem em uma realidade alternativa após terem sido dados como mortos nas mãos do vilão Massacre (e que, portanto, está fora do escopo deste atigo), Tony é recriado em nosso universo pelos poderes de Franklin Richards, o filho do Senhor Fantástico e a Mulher Invisível. Novamente um adulto e com a primeira equipe criativa de qualidade em muitos anos: o escritor Kurt Busiek e o desenhista Sean Chen. Eles dão a Stark uma armadura perfeita para o novo século. Ao mesmo tempo retrô e moderna, ela não oferecia nenhuma mudança radical em relação aos modelos anteriores (exceto, talvez, o unifeixe hexagonal), mas era de longe a melhor em muitos anos. Criada por Sean Chen a partir de esboços de Alex Ross e Allen Bujak, a armadura era um pouco pesada em termos de detalhes e penduricalhos inúteis (problema que atingiria todos os modelos desde então), incluindo a volta dos “chifres” na armadura, mas compensava com um bom gosto ausente de quase todos os outros modelos dos anos 90. Em tramas posteriores, Stark descobre que o uso constante da armadura vem prejudicando seu organismo devido aos fortes campos magnéticos necessários para manter sua rigidez (vide detalhes acima). Ele modifica a armadura para que o proteja dos campos magnéticos, mas isso faz com que ela fique volumosa demais para caber em sua maleta de mão. Acabando com uma tradição de muitos anos, o herói agora não podia mais carregar sua armadura de um lado para o outro! Outro acontecimento radical envolvendo este modelo ocorreu quando um raio atingiu a armadura durante o reveillon de 1999-2000. A combinação do choque elétrico com o Bug do Milênio (sério!) fez a inteligência artificial da armadura ganhar vida! Desesperado para se livrar dessa armadura inteligente e totalmente fora de controle, Stark a enfrenta usando sua velha armadura modular, que é rapidamente transformada em sucata (bem feito pra essa coisa feiosa). Porém, ao ficar à beira da morte após ser ferido (adivinhe!) no coração (acertou...), Tony é salvo pela própria armadura, que cria um coração cibernético artificial para mantê-lo vivo. Tony a abandona em uma ilha deserta, mas ela eventualmente seria possuída pelo vilão robótico Ultron, que assumiria o comando da organização Filhos de Yinsen para tentar destruir o herói. O Homem de Ferro o vence e a armadura inteligente, de volta à sua personalidade normal, prefere se autodestruir a correr o risco de ser possuída novamente.

SKIN
Primeira aparição (protótipo): Iron Man (terceira série) #42
Primeira aparição (versão final): Iron Man (terceira série) #44


Armadura SKIN, muito feia

Depois de um tempo usando armaduras antigas, em particular a clássica, Tony decide superar o trauma causado por sua última armadura ter ganhado inteligência e começa a construir uma versão nova a partir do zero. Neste modelo, o herói decide utilizar um material novo chamado SKIN, uma espécie de liga metálica líquida capaz de endurecer até ficar com uma solidez comparável ao adamantium! Além desse material revolucionário, a armadura contava com uma série de equipamentos avançados, incluindo o retorno dos repulsores e raios de pulso, um unifeixe muito aumentado capaz de redirecionar a energia absorvida de ataques contra a armadura, lâmina/escudo de energia, microbombas inteligentes e a volta triunfal dos projetores holográficos e do sistema camaleão! Sem dúvida o modelo mais versátil em muito tempo! Ela pecava porém por um visual muito feio criado por Keron Grant. Um torso desproporcional em relação ao resto da armadura, zilhões de apetrechos inúteis e um conjunto final pouco harmonioso fazem deste um dos modelos mais feios usado pelo herói. Como se não bastasse, após a saída de Sean Chen da série, o Homem de Ferro teria um revival dos anos 90 em pleno século 21. A cada edição sua armadura era desenhada de forma diferente! Esse modelo e o seguinte foram particularmente afetados por esse problema. Talvez por isso ela teve uma vida curta. Após um combate com Ultron, que possuíra a armadura inteligente acima, Tony Stark percebe a vulnerabilidade da liga SKIN a controle externo pelo vilão e decide aposentar este modelo.

Homem de Lata
Primeira aparição: Iron Man (terceira série) #50


Armadura Homem de Lata, por Greg Horn


Armadura Homem de Lata, por Adi Granov, repare a evolução no visual

Mais uma vez sem armadura, Stark novamente cria um modelo novo a partir do nada. Uma versão utilitária e sem grandes frescuras, apelidado “Homem de Lata”. Feita com materiais mais convencionais e equipada com a maior parte do equipamento da anterior, a armadura era bastante versátil e eficiente, sendo mantida por Stark, com constantes modernizações, durante um certo tempo. Vale notar que enquanto a versão inicial desta armadura cabia na tradicional maleta de mão, o último modelo já era praticamente inteiriço, difícil de guardar e transportar. Sinal claro das progressivas modificações que o modelo recebeu! Essa armadura foi destruída em combate com um inimigo turbinado pelo nanovírus Extremis. Criada por Michael Ryan, a primeira versão dessa armadura pecava, como maior parte dos últimos modelos, por um excesso de penduricalhos (particularmente as bizarras “ombreiras” do modelo) e, estranhamente, pelo que parecia uma série de tubos nas junções das pernas, braços e pescoço! Apesar de sua fealdade inicial, muitos artistas que vieram a seguir, especialmente Adi Granov, fizeram progressivas melhorias no seu visual, em particular descartando os “tubos”. A Marvel parecia determinada em conservar essa versão desinteressante o máximo de tempo possível! Mas acabou desistindo com o cancelamento da terceira (!) série do personagem.

Extremis
Primeira aparição: Iron Man (quarta série) #5


Armadura Extremis, por Adi Granov

Depois que sua avançada versão Homem de Lata foi sucateada por um inimigo alterado por Extremis, um nanovírus capaz de alterar uma pessoa e transformá-la em um super-homem, Tony Stark não viu alternativa além de injetar Extremis em si mesmo e deixar que o nanovírus o transformasse. O resultado saiu melhor que a encomenda. Modificado pelo Extremis, Stark ganhou sentidos e reflexos melhorados, capacidade de regeneração e até faculdades intelectuais (ainda) mais elevadas. Além disso, Extremis permitia que ele se conecta a qualquer sistema eletrônico das proximidades e os controlasse mentalmente! Como se não bastasse, ele permitia guardar a camada interior da armadura, feita de materiais mais leves e flexíveis, dentro do próprio corpo do herói! Tudo isso aumentou exponencialmente as capacidades do Homem de Ferro. A armadura em si é bem convencional. O equipamento é padrão (repulsores/unifeixe/raios de pulso e microbombas, mais o projetor holográfico e sistema camaleão que reapareceram nos últimos anos), mas, com a ajuda do Extremis, o tempo de resposta da armadura e a capacidade de controle que Stark tem sobre ela foram bastante aumentados. Embora não seja a mais poderosa que ele já teve, essas vantagens tornam a armadura capaz de bater qualquer uma de suas antecessoras com facilidade! Criada por Adi Granov, a armadura é visualmente um refinamento das versões da anterior. Ainda peca pelo excesso de complexidade, mas Granov deu uma maior harmonia ao conjunto. Diferente das últimas, porém, esta armadura tem uma vida longa pela frente, devido à maior popularidade do herói pós-Guerra Civil. Mas nunca se sabe quando Tony Stark pode voltar à prancheta e fazer uma versão ainda mais poderosa e eficiente!

Fonte: Omelete

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Carnaval de Quadrinhos das Quartas 9 - Contadores de Histórias - Jim Starlin

Esta é a nona edição do Carnaval de Quadrinhos das Quartas. Nesta edição iremos falar de "Contadores de História". Minha escolha foi Jim Starlin, conhecido mais pelo pessoal antigo e dono de um humor bastante "ácido" ele definitivamente marcou história nas HQs. Aliás, marcou e continua marcando... Suas criações continuam por aí e seus trabalhos também.

JIM STARLIN


Seu nome virou praticamente um sinônimo de aventuras espaciais. Ele próprio admitiu que como desenhista não se sente muito entusiasmado desenhando cenários e personagens do nosso dia-a-dia, preferindo deixar a imaginação voar rumo as estrelas. Uma curiosidade interessante é que ele tem a palavra star no sobrenome.

James P. Starlin nasceu em 9 de outubro de 1949, em Detroit. Começou sua carreira profissional na Marvel, em 1972, sob a direção dos editores Roy Thomas e John Romita. Seu primeiro trabalho na editora foi como arte-finalista do título original do Homem-Aranha. Em seguida desenhou três edições de Homem-de-Ferro, onde já introduziu sua mais famosa criação, Thanos, sabidamente uma homenagem a Darkseid, criado por Jack Kirby na DC Comics.


Quando foi chamado para desenhar a edição número 25 do título do Capitão Marvel, que já estava para ser cancelado, Jim conseguiu mudar a idéia dos editores e na edição seguinte assumiu também os roteiros. Então ele deu início à elaboração da rica cosmologia da Marvel, ditando o modelo para todos os seus criadores.

Esta empreitada continuou com a revitalização de um personagem do segundo escalão da editora, criado por Stan Lee e Jack Kirby: Adam Warlock. Com estes dois personagens Starlin construiu praticamente toda sua carreira dentro do Universo Marvel, estabelecendo entre eles uma relação que foi mote para muitas aventuras em que o destino de toda criação esteve em jogo.

Depois de um tempo, a revista do Capitão Marvel estava novamente ameaçada de cancelamento. Foi então que Starlin decidiu encarar o problema de frente e criou a graphic novel A Morte do Capitão Marvel. Foi um dos primeiros casos de morte de um super-herói de quadrinhos. O roteiro desta revista foi uma homanagem a seu próprio pai, que assim como o personagem também morreu de câncer.

No final dos anos 80, Starlin assumiu os roteiros do título do Surfista Prateado, substituindo Steve Enlglehart. Em seguida, ele deu continuidade à saga de Thanos iniciando a primeira minissérie intergaláctica.

Em 1982, Starlin começou a publicação de sua série autoral, Dreadstar, pelo selo Epic da Marvel. A saga mostrava Vanth Dreadstar, único sobrevivente de toda a Via Láctea, que lutava contra a tirania do Lord Papal, líder da Instrumentalidade, uma espécie de organização religiosa que se opunha politicamente à Monarquia em todo o universo.

No Brasil, a saga foi publicada pela Editora Abril, nas seis edições da revista Epic Comics, que trazia os quadrinhos do selo da Marvel. Em seguida, a Editora Globo publicou as continuações, respectivamente, com duas graphic novels (Dreadstar e O Preço) e uma revista mensal de dez edições. Infelizmente, devido a problemas na negociação com a editora norte-americana, os leitores brasileiros ficaram sem ver o final desta excelente saga.


Em seguida, na linha de publicações autorais, veio Gilgamesh II. A história passada num futuro de alta tecnologia é uma releitura do mito babilônico. Ao lado de Dreadstar, é uma das obras que melhor reflete a imaginação de Starlin em criar uma nova cosmologia replete de conteúdo, com referências culturais e filosóficas bem elaboradas.

Como roteirista, Starlin tem alguns trabalhos diferentes da ficção científica. Ele é co-criador de de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu e desenhou as primeiras histórias do personagem. Ele também fez o roteiro de uma minissérie do Justiceiro desenhada por Bernie Wrightson.

Durante um tempo, foi roteirista do Batman, onde ficou mais conhecido por ter matado o segundo Robin, Jason Todd, na história Morte em Família. Mas Starlin também é responsável por uma das mais cultuadas minisséries do Homem-Morcego, O Messias. Esta história, também desenhada por Bernie Wrightson, foi a primeira a fazer referência à marca registrada da narrativa de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, o uso da televisão para narrar eventos da trama.

Em 1988, ao lado do desenhista em ascensão Mike Mignola, criou Odisséia Cósmica, uma das grandes sagas da DC estrelada pela Liga da Justiça e que girava em torno do conflito entre Apokolips e Nova Gênese. A série tem muitos pontos altos, que ficaram para a história da DC, como destruição de um planeta por descuido do Lanterna Verde John Stewart e Batman salvando o universo como o conhecemos com uma chamada feita de um orelhão!


Nos anos 90, Starlin publicou algumas minisséries para editoras como a Malibu e a Slave Labor Graphics. Além disso, ele de vez em quando retornava com algum projeto para os heróis cósmicos da Marvel que ajudou a desenvolver. Foi a assim com o título do novo Capitão Marvel, a revista mensal de Thanos e as minisséries Abismo Infinito e Universo Marvel – O Fim.

Infelizmente nenhuma delas esteve à altura dos trabalhos dos anos 80. Principalmente porque Starlin passou a deixar de desenhar cenários espaciais para que estes fossem feitos pela equipe de colorização por computador. Dessa forma os desenhos de Starlin perderam a maior parte de seu charme.

Seus trabalhos autorais mais recentes parecem ter agradado mais ao público e à crítica norte-americana. Em 2004, pela editora Devil´s Due e pela Dynamic Entertainment, ele publicou a graphic novel Cosmic Guard. Nela vemos a história de Ray Torres, um órfão de 12 anos que teve uma vida de cão e está pronto para se suicidar, saltando do alto do telhado do orfanato onde vive, quando é escolhido por um campeão de outro planeta para ajudá-lo a salvar sua população de uma raça invasora. "Ray se transforma, de um órfão indesejável de 12 anos, num herói universal de 16 anos. É uma revista adulta sobre um garoto”, disse Starlin.

Em janeiro de 2007, a Dynamic Entertainment anunciou a publicação de uma nova graphic novel escrita e desenhada por Jim Starlin chamada Kid Kosmos que é a continuação de Cosmic Guard.


Agora uma entrevista concedida por Starlin para o site UniversoHQ

Um sucesso escrito nas estrelas
A vastidão do Cosmos sempre fascinou o homem. Em todas as formas de arte, muitos já utilizaram o espaço como tema principal de suas obras. Nos quadrinhos, um artista que fez - e ainda faz - inúmeras incursões pelas estrelas é Jim Starlin.

Criador do saudoso Dreadstar (veja matéria especial sobre o personagem apóps a entrevista), Starlin tem um currículo invejável. Foi o primeiro artista a matar "de verdade" um super-herói, o Capitão Marvel (da Marvel; não confundir com o da DC Comics); era o roteirista da Morte de Jason Todd, o segundo Robin; criou o mega-vilão Thanos; e trabalhou com vários os super-heróis "de peso", como Super-Homem, Batman, Surfista Prateado, Hulk, Homem de Ferro, Aquaman e outros.


Recentemente, desenhou algumas edições do novo Capitão Marvel e está envolvido em uma série de projetos, como a republicação de toda a saga de Dreadstar em volumes encadernado, em preto e branco, pela Slave Labor Graphics. Aliás, para os fãs do Guerreiro das Estrelas, uma surpresa: Starlin disse que pretende retomá-lo e, provavelmente, o matará!

Portanto, prepare-se! Sua viagem intergaláctica está apenas começando!

Universo HQ: Qual é a sua formação acadêmica e artística?
Jim Starlin: Tenho pouquíssimo treinamento acadêmico. Eu costumava desenhar no meu quarto quando criança, olhando as revistas e tentando descobrir como desenhá-las.

UHQ: Qual sua idade e quando começou a trabalhar com quadrinhos? O que o levou a querer trabalhar nessa área?
Starlin: Estou com 51 anos, e trabalho profissionalmente com quadrinhos desde 1972. Sempre amei quadrinhos, e quis escrevê-los e desenhá-los desde os oito anos.


UHQ: Muitos dizem que Jack Kirby foi uma grande influência em seu trabalho. Isso é verdade? Quais artistas marcaram seu estilo? Quais foram seus ídolos?
Starlin: Kirby era o meu Deus, seguido de perto por Steve Ditko, em segundo lugar. Outras influências que tive quando pequeno foram Gil Kane, Carmine Infantino e Joe Kubert.

UHQ: Quais as diferenças entre se trabalhar na Marvel e na DC? Você prefere trabalhar com os personagens de qual das duas editoras?
Jim Starlin: Na maioria das vezes, as diferenças são bem pequenas. Tudo depende de quem está no comando em determinado momento; e com qual editor se está trabalhando. Quando trabalhei com Kevin Dooley, em Hardcore Station (nota do UHQ: uma minissérie em seis partes, da Liga da Justiça, para a DC Comics), foi um verdadeiro pesadelo. Mas eu também atuei lá com Archie Goodwin, em outro projeto, e foi maravilhoso. Agora, estou trabalhando com Tom Brevoort, na Marvel, e está sendo ótimo. Ele é muito profissional e amigável. Com outros editores da Marvel, eu não tive tanta sorte.
Eu tenho um grande carinho pelo Super-Homem e Batman, porque eu cresci com eles, mas, atualmente, estou trabalhando com os meus personagens favoritos na Marvel. Tudo muda, dependendo de quem está no comando em cada companhia. No momento, eu gosto do pessoal que está na Marvel, e por isso estou com eles. Isso pode mudar no próximo ano. Quem sabe?

UHQ: Pouca gente lembra que você desenhou as primeiras histórias do Mestre do Kung Fu, um personagem que marcou muitos leitores. Qual a sua relação com o personagem? Foi um momento importante para sua carreira?
Starlin: Trabalhar com Steve Englehart foi divertido, e eu adorava o programa de TV do Kung Fu (nota do UHQ: uma série, dos anos 70, onde o personagem principal era interpretado por David Carradine). Nós queríamos fazer uma adaptação do programa, mas a Time Warner era dona dele. O ruim sobre esse projeto foi ter Fu Manchu incorporado à mistura.
Nunca havia lido nada dele e não tinha idéia de quão racistas os livros eram. Muitos dos meus amigos asiáticos me deram um "puxão de orelha" depois que foi lançado.


UHQ: Quais as diferenças entre trabalhar na Marvel na fase em que você desenhava Adam Warlock e Vingadores (Saga de Thanos) e, posteriormente, quando fez as mini-séries Desafio Infinito e Thanos: Em Busca do Poder?
Starlin: Quanto mais tempo eu trabalho na Marvel, mais devagar eles ficam para aprovar projetos. Quando eu fiz Warlock, falei com Roy Thomas durante a tarde e, à noite, já estava desenhando a primeira página. Agora, tive que esperar três meses para concordarem em fazer Infinity Abyss.

UHQ: Você usou a Graphic Novel "A Morte do Capitão Marvel" como uma forma de colocar para fora sentimentos referentes à morte do seu pai, vítima de um câncer. Como foi executar essa obra? Qual foi a reação dos fãs em relação a essa história? Afinal, você matou um herói muito querido!
Starlin: Foi uma forma barata de terapia. Adorei fazer o projeto, e muitos fãs também gostaram. Recebi algumas ameaças de morte, mas nada demais. Recebi mais aborrecimentos de diversos dos meus companheiros de profissão, que estavam irritados porque eu consegui o primeiro negócio com royalties nos Estados Unidos.


UHQ: É verdade que, na época, você fez a Graphic Novel, para que a Marvel, em troca, publicasse Dreadstar, pela Epic (nota do UHQ: um selo da Marvel para matérias especiais/adultos, com alguns títulos cujos direitos eram dos autores)?
Starlin: Sim. Eu e Shooter fizemos um acordo sobre começar uma linha que tivesse histórias com personagens que pertencessem aos autores, mas só se eu fizesse esse projeto antes.

UHQ: O que está achando da nova revista mensal do Capitão Marvel, escrita pelo Peter David? Como é sua relação com ele, uma vez que David também já trabalho com o Dreadstar? Você ainda acompanha os personagens que lhe trouxeram fama, como Vingadores, Adam Warlock e outros?
Starlin: É boa. Nos últimos tempos, desenhei três edições do novo Capitão Marvel para o Peter David (números 11, 17 e 18). Sobre os outros personagens, em breve, usarei vários, como Thanos, Capitão Marvel, Serpente da Lua, Gamora, Dr. Estranho, Homem-Aranha e Pip, em Infinity Abyss, uma mini-série, em seis edições, que vou escrever e desenhar para a editora.

UHQ: Como surgiu Metamorphosys Odyssey, na Epic Comics, na qual você deu inicio a história que culminou no surgimento do título "Dreadstar"? Você tinha isso em mente desde o início?
Starlin: Não! Originalmente, a idéia era fazer uma história com um final parecido com um conto de fadas. Mas eu comecei a gostar de Dreadstar, à medida que a história se desenvolvia. Além disso, a Marvel, repentinamente, percebeu as vantagens de lançar personagens que pertencessem aos seus criadores. Foi assim que a linha Epic começou.

UHQ: Conte um pouco sobre o trabalho na mini-série O Messias, de Batman. Afinal, esse foi um dos primeiros trabalhos de destaque do personagem depois de Cavaleiro das Trevas, e as comparações foram inevitáveis! Como você lidou com isso?
Starlin: Na verdade, não me lembro de qualquer comparação entre as duas histórias. Eu tentei afastar o meu Batman da versão do Miller, porque era o melhor a fazer naquele momento Se tivesse que comparar com qualquer trabalho do Miller, seria com Ronin, pois ambas as histórias têm longos períodos situados dentro dos esgotos.

UHQ: Como foi a repercussão da Morte de Robin (nota do UHQ: Starlin era o roteirista da história)? É verdade que os leitores americanos detestavam Jason Todd? Como foi a história da votação do público, para decidir se ele devia ou não morrer?
Starlin: Sim, todos detestavam Jason Todd. Eu queria matar o Robin, logo que comecei a escrever Batman. A idéia de pegar uma criança para lutar contra o crime é ridícula! Então, Denny O'Neil veio com a idéia da votação por telefone. Ele ganhou o crédito da idéia de matar o Robin desde o começo.
Então, a revista foi lançada, e os executivos da Time Warner perceberam que eles tinham todas aquelas lancheiras e pastas com o Robin estampado nelas e, de repente, a culpa da morte do Robin passou a ser minha! Em menos de três meses, eu já estava fora da DC.

UHQ: Por que Dreadstar saiu do selo Epic? Depois de passar pela First, o que causou o seu cancelamento? No Brasil até hoje, existe uma legião de fãs, auto-intitulada "órfãos de Dreadstar", que desconhece o final da saga do personagem!
Starlin: Estou empenhado em publicar toda a série de Dreadstar pela Slave Labor Graphics. A Epic foi uma linha da Marvel que publicava personagens que pertenciam aos autores. Quando a Marvel e eu tivemos uma briga sobre o dinheiro que me deviam, levei o material para a First e, posteriormente, para a Malibu.

UHQ: Você foi um pioneiro em termos de direitos autorais na indústria americana dos Comics, com Dreadstar. Porém, não produziu mais obras com o personagem e, na sua volta, após vários anos, permitiu que o roteiro e desenho fossem feitos por outros artistas (nota do UHQ: Peter David assumiu os roteiros e os desenhos ficaram por conta de artistas como Luke MacDonnell e Angel Medina). Você perdeu o prazer de trabalhar com Dreadstar?
Starlin: Eu escrevi, desenhei e arte-finalizei o equivalente a aproximadamente 50 edições de Dreadstar. Precisei parar e, desde então, não encontrei a oportunidade ideal para voltar a fazer dinheiro com novas histórias do personagem. Afinal, isso aqui é um negócio!

UHQ: Como estão as vendas das republicações da saga de Dreadstar, pela Slave Labor Graphics (nota do UHQ: Starlin está relançando toda a série de histórias de Dreadstar, em edições encadernadas, em preto e branco)?
Starlin: Boas o suficiente para continuarem publicando. Haverá um intervalo de uns seis meses entre as publicações dos livros quatro e cinco, enquanto eu estiver trabalhando em Infinity Abyss.

UHQ: Existe um ditado que afirma que toda história boa tem começo, meio e fim. Você pretende encerrar em definitivo a saga de Dreadstar algum dia? Quais os planos futuros para o personagem?
Starlin: Algum dia, em algum lugar, eu retornarei ao Dreadstar e, provavelmente, vou matá-lo no fim da saga. Eu também tenho uma história que quero fazer com ele, chamada Class Warfare.

UHQ: Como surgiu a Bravura Comics (nota do UHQ: um selo da Malibu Comics), onde você publicou duas mini-séries Breed I e II? Qual foi sua participação nisso? Na sua opinião quais os motivos que levaram ao fim desse selo?
Starlin: Harris Miller, meu advogado e também da maioria do pessoal envolvido na linha Bravura, fechou um acordo sobre os direitos dos artistas com a Malibu Comics. Chaykin que sugeriu o seu nome. No fim, a linha morreu, porque os homens de negócios da Malibu não eram muito bons no seu trabalho, e a Marvel acabou por comprar a companhia.

UHQ: Você foi um dos primeiros argumentistas a matar, "de verdade", personagens de grande sucesso. Hoje em dia, a morte/ressurreição de personagens virou lugar comum, quase sempre na tentativa de se aumentar a vendagem de revistas. O que acha disso?
Starlin: Prefiro não opinar.

UHQ: Na grande maioria de suas histórias temos a ação acontecendo no espaço sideral, em outros planetas ou outros universos. Existe algum motivo especial para essa fascinação pelo cosmos?
Starlin: Sim, eu odeio desenhar carros e pessoas com ternos. Além disso, você pode fazer histórias mais reais ou relevantes se as disfarçar com fantasias. Usando esse método, fiz contos sobre tudo, desde incesto até ridicularizar as grandes corporações; e não poderia ter feito isso se fosse no "mundo real".


UHQ: Você acompanha alguma série de quadrinhos atualmente? Quais são seus artistas prediletos da atualidade?
Starlin: Leio muito pouco. Qualquer coisa do Alan Moore e Frank Miller, e algumas poucas coisas da Marvel, que têm ligação com o que eu estou fazendo. Também gosto das histórias do Peter David.

UHQ: Você trabalhou com Super-Homem, Batman, Surfista Prateado, Hulk, Homem de Ferro, Aquaman e Capitão Marvel, entre outros personagens de sucesso! Existe algum super-herói com o qual você gostaria de ter trabalhado, mas não conseguiu?
Starlin: Millie the Model (nota do UHQ: uma personagem feminina, no melhor estilo Barbie, que foi publicada das décadas de 40 a 60, nos Estados Unidos). Não, na verdade, fiz pelo menos algum trabalho com todos os personagens que sempre quis trabalhar.

UHQ: Qual o seu personagem favorito?
Starlin: Thanos, porque eu o criei e, toda vez que vou para a Marvel, ele está num canto, sentado, esperando por mim para "brincarmos" juntos, não importa em qual título eu esteja trabalhando.

UHQ: Você trabalha com quadrinhos há mais de 30 anos. O que te atrai tanto nessa mídia? O que acha das dificuldades que os quadrinhos estão passando?
Starlin: As dificuldades passarão. Talvez agora, com o (George W.) Bush como presidente. Sempre que tivemos um presidente republicano e a economia em queda, a indústria de quadrinhos prosperou. É só olhar para trás, e ver quais foram os melhores anos: durante os governos de (Richard) Nixon, (Ronald) Reagan e (George) Bush. Nós temos um desempenho melhor quando os outros estão se "machucando".

UHQ: Você já mencionou a mini-série chamada Infinity Abyss, que propôs para a Marvel. Do que se trata a história? Como andam as negociações?
Starlin: O projeto já foi autorizado, e é sobre a realidade caindo em um abismo. Mais detalhes no futuro.

UHQ: Depois de muitos anos, a Marvel resolveu "ressuscitar" Rom, numa mini-série em 5 partes, com textos seus e desenhos de Chris Batista. Como foi trabalhar com esse personagem (nota do UHQ: um homem que, para salvar o seu planeta, abdica da sua humanidade, para ser transformado num robô espacial. O personagem fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80, inclusive no Brasil, pela RGE)? Você gostou de trabalhar com o personagem?
Starlin: Na verdade, não. Na década de setenta, eu o achava um personagem bem bobo. Apenas peguei o trabalho de escrever a série, pois assim poderia pagar algumas prestações do meu barco. Eu era estritamente mão-de-obra contratada naquele projeto. Não farei mais nada com Rom.

UHQ: Fale um pouco também sobre Wyrd: The Reluctant Warrior (Nota do UHQ: Mini-série em 6 edições, publicada pela Slave Labor), ainda desconhecido do público brasileiro.
Starlin: Wyrd é uma história humorística e política, sobre os ricos contra a magia e a homossexualidade não intencional. É um dos meus trabalhos favoritos; e é uma pena tão poucas pessoas terem lido. Está disponível em uma coleção da Slave Labor Graphics.

UHQ: Você poderia dar mais detalhes de suas outras atividades atuais, como, por exemplo, a produção de livros e softwares?
Starlin: Eu co-escrevo quatro romances com Daina Graziunas, minha ex-mulher (Among Madmen, Lady El, Thinning the Predators e Pawns, que foi serializada com a história de fundo baseada em Dreadstar). Eu sou um dos sócios de uma companhia de computadores chamada Electric Prism, que faz de tudo, desde design de websites até adaptar desenhos arquitetônicos para plantas de construção. Meu envolvimento atual com a empresa é mínimo.

UHQ: Você acredita no potencial dos quadrinhos pela Internet? Eles podem substituir o papel algum dia? O que achou das recentes notícias sobre a Stan Lee Media?
Starlin: a Stan Lee Media demitiu a maioria do seu pessoal há algumas semanas. Eu não acho que descobrirão tão cedo um substituto para o prazer de segurar uma revista nas mãos. Você já tentou ler quadrinhos pela Internet enquanto vai ao banheiro?

UHQ: Você poderia mandar uma mensagem aos seus fãs brasileiros?
Starlin: Continuem lendo e acreditando. A vida é muito curta para não se ter fantasias.

UHQ: Muito obrigado por sua atenção. O Universo HQ lhe deseja sucesso, sempre!
Starlin: Muito obrigado.


Matéria sobre Dreadstar publicada no Universo HQ.

Dreadstar e seus orfãos

Leitor de quadrinhos sofre. Se for brasileiro, então, sofre em dobro! Temos que ler histórias adulteradas, muitas vezes com uma tradução confusa, descobrir que páginas foram cortadas por motivo de espaço, e também nos deparar com o mais assustador de todos os problemas: o desaparecimento de uma revista das bancas, deixando centenas, milhares de fãs sem a conclusão da história, a ver navios. E foi exatamente desse mal que sucumbiu o ótimo personagem Dreadstar, de Jim Starlin.

O cancelamento da revista, quando de sua última publicação, pela Editora Globo, aconteceu devido às dificuldades de negociação com a detentora dos direitos sobre o personagem, a First Comics. "A Globo não teve meios para obter o material. Não existiam as facilidades da internet naquele tempo, e os contratos eram feitos por outro setor da empresa, chamado de Globo Press, que não conseguiu acertar a publicação da seqüência do titulo, após a saída do mesmo do selo Epic, da Marvel, passando para a First. Os editores não participavam desses contatos", lamenta Leandro Luigi Del Manto, editor do título na época, hoje na Pandora Books. Ele também informou que a tiragem ficava aproximadamente entre 25.000 e 30.000 exemplares por edição, um número considerado apenas razoável, mas que seria ótimo para qualquer publicação de quadrinhos nos dias de hoje.

A saga do personagem foi publicada no Brasil da seguinte maneira:


06 números da revista Epic Comics - Editora Abril
Graphic Novel Dreadstar - Editora Globo
Graphic Novel O Preço - Editora Globo
10 números da revista Dreadstar - Editora Globo

Curiosidade: Dreadstar é uma graphic novel pintada, ao melhor estilo do que Alex Ross faz hoje, só que 20 anos atrás!


A HISTÓRIA


Tudo começou milhares de anos atrás, na Via Láctea. Havia duas raças extremamente poderosas e distintas, os Zygoteanos, guerreiros e mercenários, determinados a conquistar todos os planetas existentes, e os Orsirosianos, imortais que cultivavam a magia e a ciência.

Após séculos de luta, a derrota do Orsirosianos era eminente. Eles tomam, então, uma decisão radical. Antes destruir a galáxia, que se submeter aos mandos dos Zygoteanos.

Para isso, bolam um plano, sob o comando de Lorde Aknaton. Invocam a "trombeta do infinito". Para aciona-la, quatro seres são convocados, entre eles Vanth Dreadstar, que havia encontrado uma espada, deixada muito tempo atrás no planeta Vega, por Aknaton. O plano funciona, a trombeta é acionada, e toda Via Láctea é destruída.

Vanth e Aknaton sobrevivem, e vagam milhões de anos dentro de uma esfera mística. Quando despertam, no planeta Caldor, Vanth mata Aknaton, por não aceitar a destruição que este causou.

Em Caldor, Vanth conhece um pacifico povo felino, e encontra o amor nos braços de Delilah. Porém, a paz é quebrada com a chegada de Syzygy Darklock, um ex-bispo da instrumentalidade, que teve uma visão, e veio à procura de Vanth para tornar-se seu amigo e mentor.

Na galáxia empírica, onde Vanth se encontra, uma guerra sem fim ocorre entre as forças da instrumentalidade, sob julgo do Lorde Papal, e da Monarquia. Esta última ataca Caldor, provocando a morte de Dalilah. Como conseqüência, Vanth entra na guerra, disposto a acabar com os responsáveis pela mesma.

OS PERSONAGENS


Vanth Dreadstar - Um dos poucos sobreviventes da explosão que devastou a Via Láctea, Vanth procurava paz. Porém, foi pego em meio à guerra entre a Monarquia e a Instrumentalidade, e acabou por ter sua companheira assassinada. A partir daquele momento, tornou-se inimigo ferrenho de ambos, e decidiu acabar com a guerra entre as potências. Sua fonte de poder é uma espada, forjada através de magia e possuidora de vida própria.

Syzygy Darklock - Ele era bispo supremo da instrumentalidade. Teve seu irmão assassinado por forças místicas, e ao empreender uma jornada em busca de vingança, adquiriu poderes além do imaginado, e descobriu seu destino, como peão no jogo cósmico em busca da paz. Acabou por tornar-se uma espécie de mentor de Dreadstar.

Lorde Papal - Um mestiço, fruto da união entre duas raças diferentes, sofreu diversos preconceitos e humilhações quando criança. Foi encontrado por um membro da instrumentalidade, que percebeu seu poder latente e o iniciou nos segredos da magia. A partir daí, Papal teve uma carreira fulminante na instrumentalidade, sempre em busca de poder.

Oedi - A raça de Oedi foi o resultado de uma experiência fracassada da instrumentalidade, cruzamento entre gatos e humanos na busca de um guerreiro perfeito. Porém, o resultado não foi o esperado, obtendo-se somente dóceis camponeses. Ao ter toda sua raça exterminada pela Monarquia, Oedi aliou-se a Dreadstar e Syzygy na busca por vingança.

Willow - Na infância, sofreu abusos por parte do pai. Ao cruzar com Dreadstar e seu grupo, resolveu segui-los. Ao ser descoberta na nave dos rebeldes, inadvertidamente atacou Dreadstar com uma rajada psíquica. Acabou por juntar-se ao grupo, e foi treinada por Syzygy. Porém, para poder utilizar seus poderes, acabou por perder a visão.

Skeevo - Um mercenário, cujo principal objetivo é o dinheiro, ninguém sabe exatamente porque está junto com o grupo. Não tem maiores poderes, a não ser sua esperteza, agilidade e seu senso de humor.

O QUE VOCÊ NÃO VIU...


Se você odeia Spoilers, e ainda tem a esperança de ter em mãos o restante da saga algum dia, não leia as próximas linhas. Vamos contar parte do que aconteceu na seqüência do último número publicado pela Editora Globo!

Depois da fuga, graças a ajuda de Oedi (disfarçado no lugar de Mezlo), o grupo acaba por descobrir quem era o traidor da equipe: ninguém menos que Syzygy Darklock!

Porém, o próprio Syzygy desconhecia o fato de ser um traidor. Quando foi capturado pela instrumentalidade (Epic Marvel #5), sem saber, teve implantado em seu ouvido biônico um transmissor, que emitia sinais através das dimensões, os quais podiam ser captados somente pela Igreja. Eles não tinham como detectar esses sinais.

Na seqüência, o grupo ataca com todas suas forças a sede da instrumentalidade, Altarix, contando com a ajuda da frota restante da monarquia, e tendo como aliada ultravioleta. Conseguem passar pelas defesas do planeta, bem como derrotar os aliados de Papal (menos Massa e Monalo, que não estavam presentes, devido a uma armadilha armada por Oedi). O Lorde Papal escapa no último minuto, em uma nave espacial.

De posse do planeta, o grupo toma duas medidas: transmite a fita que mostra o Lorde Papal aniquilando centenas de pessoas para todo o universo, o que incita revoltas populares, e convocam os doze deuses da instrumentalidade com o "cristal dos deuses", ameaçando-os para que não voltasse a interferir nos assuntos daquela dimensão. Enquanto isso, Willow derrota Monalo, e Oedi destrói o "Massa".

Por fim, a batalha final. Dreadstar, Syzygy e Ultravioleta encontram o Lorde Papal. A batalha acontece, e somente Dreadstar permanece em pé. Quando estava para derrotar o Papal, este comete suicídio, em uma explosão mística, com a intenção de também matar Vanth. Porém, este sobrevive, e fica em coma por um longo período de tempo.

Ao despertar, descobre que muita coisa mudou. Oedi e Skeevo são burocratas do novo regime. Darklock está perto da morte e o resto do grupo faz parte de uma força especial, que caça criminosos de guerra. Vanth junta-se ao grupo, e uma nova fase tem início.

A última vez que Dreadstar saiu nos EUA foi numa mini-série em seis edições, pela Malibu Comics, através do selo Bravura, com desenhos de Ernie Colón e roteiro de Peter David. Nela, ficamos conhecendo a filha de Dreadstar, que cresceu sem conhecer o pai, sob a tutela de ninguém menos que o Lorde Papal! No final, temos a volta de Vanth, que todos acreditavam morto, e fica a deixa para uma nova continuação.

O autor, Jim Starlin, afirmou em entrevista exclusiva que talvez termine a saga um dia, matando nosso herói. Quem acompanha a trajetória do artista, sabe que ele é bem capaz disso...

Para ler os textos dos outros blogs participantes desta edição é só clicar nos links abaixo.

O Busilis - Stan Lee
Quadrideko - Frank Miller
Toca do Calango - Warren Ellis
Não Diga Nada - Howard Chaykin
Zine Acesso - Neil Gaiman
Blog do Hiroshi - Alan Moore
Reviews de Histórias em Quadrinhos - Bill Willingham


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Chega ao fim a disputa jurídica por Sonja

O processo que começou ano passado envolvendo uma disputa por direitos autorais em torno da personagem Sonja chegou ao fim na semana passada nos EUA. A Red Sonja LLC, que já detinha os direitos sobre a guerreira ruiva, agora também pode fazer uso da personagem Red Sonya (com y), criação de Robert E. Howard (também criador de Conan).


Red Sonya é uma guerreira russa do século XVI, criada por Howard para o conto "The Shadow of the Vulture" em 1934, que não viveu além desta pequena história. Em 1973, os quadrinhos de Conan trouxeram Sonja, personagem baseada em Red Sonya, mas com aventuras na Era Hiboriana, mesmo período do cimério. A única semelhança entre as duas são os nomes parecidos.

Os personagens de Robert Howard ficaram divididos entre duas empresas de licenciamento: a Red Sonja LLC, que tem apenas Sonja (com j), e a Paradox Entertainment, que ficou com Conan e todo o resto. A primeira acusava a segunda de promover Red Sonya (com y) como se fosse a hiboriana (a com j).

No complicado resultado da justiça americana, Red Sonya (com y) passou a ser também propriedade da Red Sonja LLC, para não haver mais confusão. A história de 1934 onde a personagem com y foi criada, porém, ficou sob controle da Paradox Entertainment. Sim, a personagem é de uma licenciadora, o conto é de outra.

Outra estipulação confusa é que a Paradox Entertainment detém os direitos sobre a Era Hiboriana, criação de Howard. As histórias de Sonja, porém, podem se passar neste período!

Sonja tem suas HQs publicadas nos EUA atualmente pela editora Dynamite. É esse material que a Panini começa a publicar, a partir deste mês, no Brasil.

RED SONJA

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Carnaval de Quadrinhos das Quartas


O Carnaval de Quadrinhos das Quartas é é um projeto de postagem coletiva idealizada pelo Daniel Morine do Blog do Hiroshi. A idéia é a cada semana , propor aos blogs participantes que escrevam sobre um assunto relacionado com quadrinhos , dentro de um tema previamente escolhido. A edição número 1 foi sediada no Blog do Hiroshi e teve como tema um Top 10 sobre quadrinhos e teve a participação do Blog do Hiroshi , Rabisco , Reviews de histórias em quadrinhos , Quadrideko e Zine Acesso . A edição 2 foi sobre os grandes vilões dos quadrinhos, repetindo a participação dos blogs da edição anterior. A terceira edição teve como sede o Rabisco.org e tendo como tema as armas usadas no quadrinhos e teve o reforço de mais dois participantes, a Toca do Calango e o O busilis. Agora na edição número 4, o quartel-general do CQQ vai ser : "Em Algum Lugar dos Quadrinhos" , ou seja , os blogs participantes vão poder falar dos lugares existentes no quadrinhos, como por exemplo, Krypton, Thanagar, Zona Fantasma, Zona Negativa, Gothm City, OA , Atantis, etc.


quinta-feira, 28 de junho de 2007

Fan Filme de Civil War

Um amigo (Sid) me mandou este arquivo que ele fez como um estudo sobre a criação de ambientes 3d utilizando arquivos 2d, além de ser um meio de amarrar duas de suas (e minhas tb) paixões: quadrinhos e animação. O resultado ficou muito bom.

"Fan Film (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fan_film) - Fan films são produções amadoras relacionadas a uma obra existente (não necessariamente outro filme), criado por fãs. Um exemplo são os vídeos sobre Star Wars, com diversos projetos finalizados e em andamento. Um fan film pode ser considerado como uma mídia que estar ganhando mais espaço com a internet e um forma de artistas se expressar e criar flmes pelo fato de gostarem e não de fins inteiramente lucrativos.
Em geral um fan film não recebe autorização dos produtores, mas em casos notáveis pode ser reconhecido. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Civil War (http://pt.wikipedia.org/wiki/Civil_war_%28historia_em_quadrinhos%29) - História da Marvel onde o governo americano, após um incidente envolvendo jovens heróis ( Novos Guerreiros) que acaba por destruir uma escola, matando várias crianças, decide criar um registro de heróis, lançando uma "caça às bruxas" contra os heróis que não aderirem ao registro. Com isso os heróis se dividem em 2 grupos rivais: o grupo que apoia o registro, liderado pelo Homem de Ferro, e o grupo que discorda do registro, liderado pelo Capitão América.
A Saga se destaca por trazer velhos personagens de volta a continuidade da editora. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Robô Gigante

Em homenagem a uma das melhores séries japonesas que já vi.

A música tema era muito boa mesmo.

Robô Gigante


Criação de Mitsuteru Yokoyama completa 40 anos

Qual seria o nome mais óbvio para se chamar um robô grande como um edifício? Robô Gigante, claro! Mas há 40 anos, tudo era novidade e esse foi o nome do herói de um dos seriados mais interessantes de seu tempo. Gigantescos robôs guerreiros já haviam aparecido em mangás na década de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Mas a cara de esfinge idealizada pelo desenhista Mitsuteru Yokoyama logo chamou a atenção do público quando ele apareceu pela primeira vez em mangá, em abril de 1967. Adaptado para a TV pela Toei Company poucos meses depois, seu seriado trazia todo o charme e ingenuidade dos filmes de ficção científica desse período.

A trama


No início da aventura, um ser espacial vem com sua nave à Terra e decide conquistá-la usando sua avançada tecnologia para criar monstros e máquinas de guerra. O invasor em questão é o monstro que se auto-intitula Imperador Guilhotina, líder do Bando BF (Big Fire), um exército de soldados e cientistas sempre prontos para cumprir seus planos de dominação mundial. Contra eles, a organização paramilitar Unicorn tem agentes especiais sempre prontos para o combate.
Numa noite tranqüila, o monstro marinho Dacolar surge e afunda um navio de passageiros japoneses, iniciando os ataques do Bando BF. Os únicos sobreviventes são o garoto Daisako Kusama (que viajava sozinho) e um homem chamado Jyuro Minami, o agente secreto U3, da Unicorn. Chegando em uma ilha misteriosa que servia de base para o BF, eles são capturados e levados a um hangar subterrâneo. Lá, encontram o enorme robô de combate que estava sendo finalizado. O cientista que estava sendo forçado a construir o chamado Robô Gigante, mostra a Daisako e Minami o relógio-comunicador que seria usado para comandar sua criação. De brincadeira, Daisako fala perto do microfone, e sua voz acaba sendo registrada na memória do Robô. Mas o velho cientista tinha planos de destruir o gigante de metal para que não fosse usado contra a humanidade e se rebela contra seus captores. Ele acaba morto, mas antes consegue ativar uma bomba que havia preparado.

Minami e Daisako escapam por pouco e, de longe, vêem a base voar pelos ares. Mas, para a surpresa de todos, o Robô Gigante resistiu e a explosão fez com que seus circuitos fossem ativados. Uma vez operacional, Daisako descobre que podia controlar o Robô. Tendo sido a primeira voz identificada pelo gigante, o garoto passa a ser seu mestre.



Recrutado para a Unicorn pelo Chefe Azuma, Daisako recebe o codinome U7, passando a agir secretamente para combater o Bando BF. Entre os destaques da equipe, havia ainda outra criança, a pequena Mari Hanamura, dotada de extrema inteligência.

Arma suprema da Unicorn, o Robô Gigante era capaz de voar e desferir uma variedade de ataques, como raios laser (emitidos dos olhos), lança-chamas (da boca), mísseis (da ponta dos dedos) e seu mais famoso golpe, o Soco de 1 Megaton, que levava qualquer inimigo a nocaute. Enfrentando monstros, outros robôs e gigantescas máquinas de guerra, o Robô Gigante trava batalhas difíceis, sempre vencendo graças ao seu vasto arsenal.

No final da série, o Imperador Guilhotina se torna um gigante e ameaça explodir seu corpo com força suficiente para destruir a Terra. Restou ao robô levar a ameaça para longe e, contrariando ordens de Daisako e mostrando vontade própria, explodir no espaço junto com o vilão. Foi um final bastante dramático e até incomum nesse gênero de seriado, quebrando clichês e deixando muitos fãs chocados.

Aterrisando no Ocidente


Nos EUA, a série foi rebatizada como Johnny Sokko and His Flying Robot. Esse era o título que aparecia na abertura da versão exibida no Brasil. Além da mudança de Daisako para Johnny, o herói Minami fora rebatizado de Jerry e o Bando BF virou a Gargoyle Gang, entre outras alterações. Ignorando tudo isso, a adaptação brasileira seguiu o texto original e manteve os nomes japoneses quando a série foi exibida nos anos 70 na extinta TV Tupi e posteriormente na TV Record.

Uma grande picaretagem cometida na versão exibida nos EUA foi que a empresa American International Television inventou novos créditos, dando a entender que o Robô Gigante era uma produção estadunidense. Tal prática de se chamar tradutor de “roteirista”, responsável pela adaptação de “diretor” e o dono da distribuidora de “produtor” se perpetrou em muitas séries japonesas traduzidas para o público dos EUA e depois redistribuídas para o resto do mundo.
Em 1970, quatro episódios (incluindo o primeiro e o último) foram editados na forma de um longa-metragem para a TV nos EUA, intitulado Voyage into space. O curioso é que a saga toda se passa na Terra (e não no espaço sideral), fato que passou desapercebido pela distribuidora na hora da criação do título.

Série cultuada entre fãs nostálgicos, sua fama atravessou décadas e, em 1992, ganhou uma renomada minissérie em animê diretamente para o mercado de vídeo. Em fevereiro deste ano, uma nova série de TV em animação foi lançada no Japão. Outras animações já foram anunciadas, renovando o fôlego do velho robô para continuar conquistando novas gerações de fãs.

Curiosidades sobre a série

O título original, Giant Robo (e não “Robot”) é apenas um dos muitos exemplos de inglês errado que aparecem na mídia japonesa. Grafado assim, pode-se dizer que é um nome próprio derivado de “robot”, e não a palavra propriamente dita, por mais estranho que possa parecer.

O ator-mirim Mitsunobu Kaneko havia se destacado antes na série Akuma-kun (“O Pequeno Demônio”), produzido pelo mesmo estúdio Toei Company. Ele nunca mais teve um trabalho de repercussão e logo saiu da área artística. Faleceu em 1997, aos 41 anos.

O robô grandalhão apareceu em abril de 1967 na revista semanal japonesa Shonen Sunday, da editora Shogakukan. Voltada ao público adolescente masculino, a revista apresentou vários personagens que seriam conhecidos no Brasil, como Ranma ½, Patlabor, Mai – A garota sensitiva, Inu-Yasha e Kamen Rider Black.

O autor do mangá, Mitsuteru Yokoyama, nasceu em junho de 1934 e morreu em abril de 2004, vítima de um incêndio acidental em sua residência.

Os agentes da Unicorn se saudavam com um gesto de levantar a mão direita e raspar a ponta do polegar com os dedos indicador e médio. O gesto era acompanhado de um forte som (“fuip”), que entrava como efeito sonoro. Muitos garotos certamente tentaram imitar a saudação, sem sucesso...

Apesar dos avançados jatos individuais que usavam nas costas para voar e de seus comunicadores em forma de caneta, os agentes da Unicorn usavam armas contemporâneas, como pistolas automáticas e metralhadoras.

Criada numa época anterior ao termo “politicamente correto”, a série mostrava as crianças Daisako e Marie manejando armas de fogo realistas e liquidando os capangas do Bando BF com naturalidade. Tal coisa seria impensável nos dias de hoje, ainda mais em se tratando de uma série para exportação.

Ficha técnica
Título original: Giant Robo
Estréia no Japão: 11/10/1967 (Net - atual TV Asahi)
Número de episódios: 26
Criação: Mitsuteru Yokoyama
Roteiro: Masaru Igami, Hisashi Abe e outros
Trilha sonora: Takeo Yamashita
Direção: Hiroichi Takemoto e outros
Produção: Toei Company
Emissoras no Brasil: TV Tupi e TV Record
Elenco:Mitsunobu Kaneko: Daisaku Kusama/ U7 Akio Itoh: Jyuro Minami/ U3 Yumiko Katayama: Mitsuko Nishino/ U5 Tomomi Kuwabara: Mari Hanamura/ U6 Shozaburou Date: Chefe Azuma/ U1 Matasaburo Tanba: Aranha Toshiyuki Shiyama: Imperador Guilhotina

Fonte: Omelete